Sejam Bem Vindos

Estou aqui na tentativa de criar um blog relacionado a pesquisas e temáticas que abordem toda a produção histórica.
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[...] nada do que já tenha ocorrido se perdeu para a história.WALTER BENJAMIN, Sobre o Conceito de História (1940)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Corra que Napoleão vem aí

Se atualmente, no cenário político mundial, o presidente Lula é o cara (ao menos foi o que disse Obama), no começo do século XIX esse posto era ocupado por Napoleão Bonaparte, que num espaço de tempo relativamente curto, passou a dominar não só a França, mas quase toda a Europa.

Chamado de “Filho da Revolução”, Napoleão teve uma brilhante carreira no exército francês, e tornou-se general no auge de seus vinte e poucos anos. Foi ganhando prestígio e popularidade devido a boa seqüencia de vitórias contra as tropas russas e austríacas, que juntas combatiam a Revolução que literalmente guilhotinou o absolutismo. Além de ser um mau exemplo, era uma ameaça as demais monarquias européias.

Devido ao seu sucesso militar, as tropas comandadas pelo “Filho da Revolução” conquistaram a península itálica e o Egito, Napoleão foi convidado para fazer parte do Diretório, órgão que ditava as ordens da França revolucionária. Mas esse homem de baixa estatura (1,67m) tinha pretensões megalomaníacas de tornar-se o soberano mais poderoso do mundo. Através de um golpe assumiu o poder contando com a simpatia do povo, que o via como um heroi, e obviamente o apoio dos militares. Sem falar na classe burguesa que o tinha como um líder.

Bonaparte costumava dizer que era herdeiro de Carlos Magno, antigo imperador do Sacro Império, que tinha em suas posses grande parte do território europeu. Com isso saiu destronando monarcas. Derrubando dinastias que alguns anos atrás eram consideradas intocáveis. As tropas napoleônicas ocuparam as mais importantes cidades europeias, e o Imperador francês, a “máquina de derrubar reis”, colocava seus parentes nos tronos dos países conquistados. Em 1810, o Império Napoleônico tinha quase toda a parte ocidental da Europa sobre os seus domínios, com exceção da Inglaterra.

Se por terra o exército francês era praticamente imbatível, os ingleses eram os donos do mar. A marinha britânica possuía 880 navios de combate, e como a Inglaterra é uma ilha, Napoleão para conquistar o seu território teria que enfrentá-la através de um confronto marítimo. O confronto entre as duas principais potências daquela época, de fato aconteceu. A marinha francesa com o objetivo de atracar em solo britânico pelo Canal da Mancha foi derrotada na épica Batalha de Tralfagar (1805).

Após a derrota, o Soberano da França, que gostava de se referir a Inglaterra, chamando-a de “pequena ilha de pescadores”, nos dá em 1807, uma bela amostra de que esse desdém se tratava apenas de rivalidade, pois Napoleão sabia muito bem que a tal “ilha de pescadores” era um obstáculo as suas pretensões políticas e econômicas. Mas que amostra foi essa então? O Bloqueio Continental. Se não foi capaz de vencê-la através do confronto direto, faria isso arrasando-a comercialmente, proibindo qualquer nação europeia de manter relações diplomáticas e comerciais com os britânicos. E ai daquele que desobedecer as suas ordens.

Longe desse agitado contexto estava o Brasil, uma terra de proporção continental, clima tropical e banhada pelo Oceano Atlântico, cujo seus pouquíssimos habitantes sequer imaginavam que todos esses acontecimentos que agitavam o Velho Continente, mudariam a história dessa colônia portuguesa, transformando-se numa nação independente.

Em 1807, Portugal era governado por um príncipe regente, espécie de rei sem coroa, que era D. João. Muitos retratam o príncipe de maneira caricata. Feio, obeso, glutão, preguiçoso, sujo, mal vestido, medroso, inseguro e depressivo. Todos esses adjetivos se aplicam a D. João, que veio a ser o soberano de Portugal, apesar da pouca vocação, porque sua mãe, a rainha Maria I, havia enlouquecido e o seu irmão mais velho, e com isso herdeiro direto do trono, D. José, havia morrido de varíola.

Quando D. João VI se deparou com as ordens napoleônicas a respeito do Bloqueio Continental, passou a enfrentar um medonho dilema. Portugal deveria decretar guerra contra a Inglaterra, fechar os portos para os navios britânicos, retirar o embaixador português de Londres e expulsar o embaixador inglês de Lisboa, além de confiscar os bens dos cidadãos ingleses que residiam em Portugal e deportá-los.

Se não cumprisse todas as exigências, as tropas francesas invadiriam o país e poria fim a Dinastia Bragança. Mas do outro lado da força estava a Inglaterra, a “nação amiga” que historicamente era uma aliada dos lusitanos. Ademais, também era uma potência militar de meter medo. No dia 1 de Setembro de 1807, a Dinamarca, que acatou o Bloqueio, viu os navios britânicos aportarem na sua capital, Copenhague, e bombardearem a cidade por quatro dias.

Diante disso, D. João VI adotou uma postura dúbia para ganhar tempo até chegar a uma decisão. Mandou um diplomata para relatar ao próprio Napoleão que agiria conforme as ordens do Imperador, exceto a parte do confisco de bens dos ingleses que viviam em Portugal. Mas Bonaparte não se deu por satisfeito: Ou o Príncipe Regente dançava no ritmo da melodia francesa ou iria sentir a fúria do exército mais poderoso do mundo.

No dia 5 de Novembro daquele ano, o confisco aconteceu. Portugal declarou abertamente que estava em guerra contra os britânicos. Mas tudo não passava de um jogo de cartas marcadas. Por debaixo dos panos a coroa lusitana acertava com os ingleses, uma indenização que compensasse os prejuízos. Portugal e Inglaterra já estavam acertados. O plano seria uma fuga. Toda corte portuguesa, junto com o seu aparelho burocrático, embarcaria em direção ao Brasil escoltada por uma esquadra inglesa composta por sete mil homens, e comandada por Sir Sidney Smith, oficial experiente que lutou na Batalha de Tralfagar. Em troca, Portugal abriria os portos brasileiros para as mercadorias britânicas. Assim a Inglaterra compensaria a perda de mercado devido ao Bloqueio.

No dia 29 de Novembro toda a corte parte de Lisboa em direção ao Rio de Janeiro (durante a viagem, por motivos até hoje não muito claros D. João VI muda a rota para desembarcar primeiramente em Salvador) numa viagem arriscada e repleta de infortúnios que duraria pouco mais de três meses.

O mundo estava prestes a testemunhar algo inédito: Nunca um monarca europeu colocou os pés em uma de suas colônias. Em 22 de Janeiro de 1808, D. João VI chega a Salvador, e em 7 de Março ao Rio de Janeiro, que veio a se tornar sede do Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Por aqui D. João VI reinou por treze anos, até ir embora em 1821, pressionado pela burguesia portuguesa que exigia a presença do seu rei (D. João deixa de ser príncipe e se torna rei após a morte de sua mãe).

Durante todo esse tempo em que a corte de Portugal se estabeleceu no Rio de Janeiro, foi-se desenhando a nossa futura independência, como observa José Roberto Lopez: “A presença da Corte do príncipe regente D. João VI no Brasil criou condições concretas e objetivas para que a separação Brasil-Portugal se tornasse definitiva, assinalando o fim do sistema mercantilista, implantando diversas repartições administrativas novas e modernizando o Rio de Janeiro, conferindo-lhe a fisionomia de uma verdadeira capital, marco inicial na construção política da unidade nacional”.

Vale ressaltar que a abertura dos portos fez com que o Brasil fosse invadido pelos produtos britânicos, acabando com o monopólio comercial (Pacto Colonial) que era o sustentáculo da exploração ibérica. Se não possuía mais a dominação econômica, não fazia sentido para Portugal permanecer com a dominação política. Travestido de liberalismo, o que de fato ocorreu foi a possessão inglesa da economia. Com D. João VI em Lisboa, foi mais fácil para o seu filho D. Pedro dar o grito de independência no dia 7 de Setembro de 1822, tornando-se o primeiro imperador do Brasil.

Mas se a corte não tivesse fugido? Se o então príncipe regente decidisse enfrentar as tropas francesas? O que teria acontecido? Portugal teria claras chances de ganhar. Pois a tropa que chegou as terras lusitanas, um dia após a partida da corte, era composta em grande parte, por soldados jovens, e com isso inexperientes em batalha, e por soldados da legião estrangeira, não tão comprometidos com os ideais napoleônicos. A frente desses homens estava o General Junot, que tinha fama de não ser um bom estrategista.

A tropa que tomou Lisboa, segundo o diário do próprio General Junot, era um bando de homens maltrapilhos, exaustos e famintos. Já com algumas baixas na infantaria e alguns canhões com defeito. Mas não podemos culpar D. João VI por ter fugido. Napoleão era mesmo uma figura mítica e assustadora. É tanto, que na época costumava-se amedrontar as crianças dizendo coisas do tipo: “Napoleão vem aí” ou “Napoleão vai te pegar”.

Mesmo tendo ficado para a história como um monarca inseguro, e podemos dizer até patético, D. João VI teve seus méritos. Num contexto em que vários soberanos foram destronados, ele viveu e morreu como um rei. Pouco antes de falecer, exilado na ilha de Santa Helena, Napoleão Bonaparte deixa registrado para as gerações posteriores qual o seu pensamento em relação ao rei de Portugal e do Brasil: “Foi o único que me enganou”.

Colaboração: Thiago Oliveira, Aluno da fUNESO e escritor de cordel. Acesso o seu blog e confira. http://www.batedeiraindustrial.blogspot.com/

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Comunicado Importante!

OBS: Atenção! Por conta do São João, eu estarei viajando, por tanto o blog ficará até o dia 27/06/2010 (Domingo) sem ser Atualizado, mas na segunda-feira (28/06/2010) voltaremos com força. Espero que vocês continuem a visitar o blog e participar. Qualquer duvida pode me mandar um e-mail: Handresson2007@hotmail.com, que tentarei ao máximo entrar em contato. Obrigado pela compreensão. Tenha um ótimo São João e se for dirigir não beba preserve sua vida que é mais importante.



Atenciosamente: Handresson Tenório

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Cordel: O Professor de História

O Professor de História
Precisa estar antenado
Sobre o que está acontecendo
E não se prender ao passado
Essa é a grande diferença
De um professor dedicado

Antes de qualquer coisa
Ele é um Educador
Mas a sua cosmovisão
É a de um Historiador
Que guia o seu alunado
A refletir sobre o valor

O valor que nossa História
Tem para a sociedade
Tirando mentes de guetos
Apresentando a liberdade
Por isso deve conhecer
Bem a sua comunidade

Saber como o aluno vive
No seu contexto familiar
Se a realidade não for boa
Ele terá que se empenhar
Para mostrar a seu aluno
Que é possível mudar

Se ele não age assim
Então não é vocacionado
Está perdendo seu tempo
Está no lugar errado
Um professor indiferente
Desrespeita o legado

De homens e mulheres
Que espalharam uma visão
A de transformar o mundo
Através da Educação
Denunciando um Sistema
Que semeia exploração

Precisamos educar
E acabar com as mazelas
Assim veremos a arte
Brotar livre nas favelas
Aportar no Novo Mundo
Outras novas caravelas

Com os professores a bordo
Interagindo com o povo
Escambo de conhecimento
Ocasionando um renovo
E que isso se repita sempre
De novo, de novo e de novo

Se tornando uma constante
Uma prática ilimitada
Em um mundo mais justo
Uma História recontada
Pelo povo, que destemido
Prosseguiu na caminhada

E assim o professor
Realiza a sua missão
Completando o sentido
De sua bela vocação
Pois educar é bem mais
Que exercer uma profissão

É um dom dado por Deus
Muitas vezes oneroso
Mas mesmo sendo difícil
Ainda sim é prazeroso
Caro professor se esforce
Seja um mestre fabuloso

E assim chega ao fim
Esse pequeno cordel
Peço aos meus colegas
Que cumpram o seu papel
Tal qual messias a pregar
Terra que mana leite e mel

Não me refiro aqui ao céu
Nem há algo sobrenatural
Me refiro a essa terra
Que pode sim ser mais igual
Mas para haver transformação
A Educação é o canal
Autor: Thiago Oliveira, Aluno da Funeso do 7º período Noite

domingo, 20 de junho de 2010

Onde estás ?

O Dramaturgo e Poeta Odmar Braga, autorizou publicar um de seus poemas na versão em Portugues, pois atualmente ele só escreve em Ladino seus poemas, visitem seu blog http://lalyavedeelsekreto.blogspot.com/

Perfil de Odmar Braga: Dramaturgo e Poeta. 

Autor dos seguintes livros no gênero Poesia: Por debaixo da Alma, 1992; Lembranças (1ª Edição), 2001; Fogo de Lua & Outros Poemas, 2004; Lembranças (2ª edição). Poemas publicados em língua francesa no livro La Foi de Souvenir (Nathan Wachtel) Paris – França ,2001 e em língua italiana no livro La Fede di Ritorno ,Itália 2004; Jornal de Vila Meã , Cidade do Porto -Portugal,2003.

Poema: Onde estás

Onde estás Desirée,? Onde estás ...?
Talvez enclausurada na tranqüila
segurança de tua racionalidade cartesiana,
herdeira dos estreitos corredores dos gabinetes científicos
de la Place Marcelin – Berthelot.
Onde não é razoável que venhas ouvir meu nome nem
dizê-lo, minha poesia lavrada nas ruas molhadas,
onde não é razoável que escutes o meu nome
nem que venhas também a ler meus poemas.
Onde não possa ver abrirem–se as rosas de teus beijos
nem conduzir-te com mãos alegres entre as árvores
tortuosas dos jardins de Espanha ou deitar-te
entre as cores sensuais dessas flores
tão estranhas de meus jardins perdidos
de América do Sul.

Onde estás Desirée,? Onde estás ...?
Quiçá, num desses subterrâneos
rios de aço que perfuram os intestinos da terra
e que rastejam apressados sob as ruas
carregando nas entranhas as angustias de Paris.
Meu rosto estampado nas calçadas estreitas,
meus braços abertos pelo Cartier Latin,
gemendo, sofrendo, querendo não sei o que
mas suponho creio que talvez
uma lâmpada apagada,
uma lamparina sem fogo
ou uma primavera sem cores
que desfolhe-se esquecida
e que escorra pelo Sena
minhas dores e peixes.

Onde estás Desirée,? Onde estás ...?
Acredito que onde dorme o silêncio
e esconde-se a escura negrura da noite imensa.
Ou quem sabe se onde caminha a luz que passeia
pelas veredas dos sonhos profundos
das ilhas exóticas que da matriz de tua alma
enfeitiça com o suor de teu corpo
as cores desses versos.
Talvez estejas na vaidade da lua
que empalidece no rosto do céu os sorrisos
das estrelas e as luminosas caudas
dos cometas. Ou quem sabe,
se onde crescem as palmas e o mar
com sua língua molhada e seus lábios
cativantes balbucia palavras acesas
e beija as areias cheirosas de tuas praias
opulentas. Que acende no sangue de tuas veias
a ternura de teu umbigo e a flor de teu bem querer.

Onde estás Desirée,? Onde estás ...?
Espero que sob a plumagem da noite
ou do fogo da lua que com sua tocha acesa
sapateia no baile das palmeiras
o seu frescor exorbitante.
E que com animalesco instinto
e uma inusitada febre, acalenta as lendas e os mitos
de teu sangue polinésio, e cavalga no lombos
de minhas dores a solidão de meus versos.
Que amamenta seus mistérios
nas tetas da noite e anuncia
na poeticidade de tua pele o perfume
açucena de tua púbis, e as carícias cheirosas
de teu ventre que desabrocha encharcado
escorrendo em caramelo
um sabor de urina e céu.

Onde estás Desirée,? Onde estás ...?
Oxalá, sob o brilho distante das estrelas
que cintilam ao mirarem o infinito.
Ou entre os uivos do vento
que singram teus olhos oceânicos
repletos de barcos piratas
povoados de corsários e bucaneiros.
Ou quiçá , talvez onde as mãos
geladas do inverno te procurem
e com seus dedos ansiosos
acariciem no calor de tua pele
tuas delicadas curvaturas,
e acarinhem com seus pelos eriçados
os tímidos mamilos de teus seios
e acordem os pedaços de céu
dos teus noturnos segredos.

Onde estás Desirée,? Onde estás ...?
Penso que onde as tempestades tropicais
encontram-se com teus olhos oceânicos
e sacodem tuas águas tranqüilas
com esses raios e trovões.
Ou quem sabe se onde um poeta
desvairado, filho de um povo latino
e sensual que da negrura da madrugada
procria no útero da noite
as carnes desses versos
e os corações dessas palavras.
Parece que te conheço faz tempo
e que, como se das asas de um anjo
ou quem sabe de um avião ,
a singela eroticidade de tua pele,
teu hálito ofegante e os teus desejos escondidos,
desabrochem das cadeias de um sonho
a flor de teu delírio e libertem no encanto
das palavras a beleza desses versos.
Onde estás Desirée,? Onde estás ...?

Odmar Braga .•.

Carbono 14 muda a história do Egito Antigo



A cronologia das antigas dinastias egípcias acaba de ser refeita por pesquisadores europeus, a partir da análise combinada de dados de carbono 14 de plantas com relatos históricos de reis e rainhas sobre a ordem e a duração de seus reinados. Os resultados, que sugerem que alguns fatos aconteceram antes do previsto, oferecendo, por isso, informações inéditas para a literatura sobre o tema, foram publicados na revista Science.

O estudo foi desenvolvido por professores da Universidade de Oxford (Inglaterra), Université Paris VII-Diderot (França), Universidade de Haifa (Israel), Universität Wien (Áustria) e Cranfield University (Reino Unido). O método de datação utilizado tem como base o radioisótopo carbono-14 para determinar a idade de materiais de até 60 mil anos. Os pesquisadores coletaram medidas de radiocarbono de 211 espécies diferentes de plantas na região do rio Nilo, que estavam diretamente associadas ao cotidiano de antigos reis egípcios. As espécies analisadas estavam em forma de sementes, cestos, tecidos, caules e frutas.

Os radiocarbonos forneceram novas estimativas para os reinados caracterizados como Antigo (da 2ª a 8ª dinastia), Médio (da 11ª a 13ª dinastia) e Novo (17ª a 21ª dinastias). A modelagem dos dados fornece uma cronologia que se estende de 2691 a 1090 a.C. Os resultados sugerem, por exemplo, que o Novo Reinado começou em 1570 e foi até 1544 a.C. e que o reinado de Djoser, no Reino Antigo, durou de 2691 a 2625 a.C. Esses dois casos, segundo o trabalho, ocorreram antes do que outras previsões históricas haviam estimado.

O artigo aponta que, por milhares de anos, estudiosos se ocuparam em documentar os reinados dos vários governantes do Egito. Mas embora a cronologia que se tem nos dias de hoje é precisa em termos relativos, atribuir datas absolutas para eventos ocorridos na antiguidade é uma tarefa entendida como controversa pela ciência mundial. “As medições de radiocarbono fornecem uma cronologia coerente para o Egito antigo, que está bem próxima de algumas tentativas anteriores para revelar novos detalhes da história ocidental”, dizem os pesquisadores no artigo.

As datações por carbono-14 apontaram ainda que o Novo Reinado teria começado algumas décadas mais cedo que a data estimada por outros levantamentos, que afirmam que esse reinado teria começado em 1550 a.C. Ainda no Novo Reinado, o estudo mostra que o faraó Tutankamon, um dos mais conhecidos na cultura egípcia, teria reinado entre 1353 e 1331 a.C.

A nova cronologia do período Dinástico permite uma comparação direta com registros semelhantes de outros períodos do Egito, como o Pré-Dinástico. “A datação por carbono 14 tornou-se precisa o suficiente para restringir a história do antigo Egito em datas muito específicas", disse Christopher Ramsey, pesquisador do Laboratório de Arqueologia e História da Arte da Universidade de Oxford. “As informações desse novo estudo servirão como pré-requisito para a compreensão da velocidade e dos mecanismos de formação de todo o Estado Egípcio.”

sexta-feira, 18 de junho de 2010

DEUS E DIABO NA CRIAÇÃO


Deus criou todo o bem,
O Diabo fez todo o mal.
Mas não é tão simples saber
O que foi feito por qual.

Diz que Deus criou o homem,
E o Diabo fez a mulher
Pois, mesmo sendo mais forte,
O homem faz o que ela quer.

Se o Diabo fez o ódio,
Quando Deus criou o amor,
Por que então é que ambos
Trazem tristeza e dor?  

O Diabo criou espinhos,
Quando Deus criou as flores.
Mas quem criou os prazeres,
E quem inventou as dores?

Deus criou os alimentos,
O Diabo inventou as drogas.
Quem criou o casamento,
Para existir as sogras?

Diz que Deus criou a cana,
E o Diabo inventou a pinga.
Por isso é que bêbado fede,
Fala palavrões e xinga.

Quando Deus criou o café,
O Diabo inventou o cigarro.
Deus nos proveu de saliva,
O diabo fez o pigarro.

O Diabo inventou os bancos
Quando Deus fez o dinheiro.
Deus inventou o Atlético,
O Diabo fez o cruzeiro.

Deus fez o homem sadio,
O Diabo criou doença,
Pelo menos é dessa forma,
Que boa parte ainda pensa.

Se o Diabo fez as trevas,
Quando Deus criou a luz,
Quem criou o holocausto?
Quem foi que fez a cruz?

No sexo há outra dúvida:
Quem determinou o quê?
Quem nos pôs esse desejo
Por tudo de bom que se vê?

Deus fez o homem com pênis
Para o bem ou para o mal?
Se queremos comer todas,
Dizem ser coisa de belial.

Com dúvida entre bem e mal:
Ou Cristianismo, ou Islã,
Não se sabe quem fez o Bush,
Ou quem criou o Saddan.

Cordel: O Plantador de Milho

Sou eu caboclo da roça
Criado dentro da mata
Nunca calcei um sapato
Nunca usei uma gravata
Moro perto da cidade
Mas pra falar a verdade
Só vou lá de feira em feira
Ou quando há precisão
De batizar um pagão
Ou buscar uma parteira

No dia que registrei
O meu filhinho mais novo
O juiz estava nervoso
Brigando no meio do povo
Me chamou de maltrapilho
Sujo, plantador de milho
E disse mais uma piada
Dessas que a boca não cabe:
Matuto pobre só sabe
Fazer menino e mais nada.

O juiz não tinha filhos
Que enfeitassem sua vida
Eu conhecia a história
E fui direto na "ferida":
O senhor está zangado,
Tem dez anos de casado
E a mulher não tem um filho;
A sua comida fina
Não contém a vitamina
Que há na massa do milho.

A minha família é grande
 Dez filhos e a mulher.
Sua família é pequena
Mas é porque você quer.
A sua mulher lhe embroma
Quase todo dia toma
Anticoncepcional
Lhe vicia em novela
Dorme tarde e faz tabela
E esquece do "principal".

Ouvi o senhor dizer
Que está gastando por mês
Mas de dez salários mínimos
Só com perfume francês
Diz que a vida é uma bomba
Que foi não foi leva tromba
Com mercadoria falsa
Comprar perfume estrangeiro
É pra quem possui dinheiro
Nos quatro bolsos da calça.

Caro doutor, lá em casa
Ninguém nem conversa em luxo
A fora uma simples roupa,
O resto é encher o bucho
Não acostumei meu povo
Exigir sapato novo
Para as festas de São João
Ao invés de um colar de ouro
Compro a rabada de um touro
Pra se comer um pirão.

Lá ninguém fala em perfume,
O que há na minha casa
É cheiro de carne assada
Pingando em cima da brasa
Minha cabocla Maria,
Gorda, disposta e sadia,
Pra toda vez que eu quiser
Botar fogo na geléia
Para isso a minha "véia"
É mulher, sendo mulher.

Como, é galinha caipira
E não galeto de granja
Ao invés de coca-cola
Tomo suco de laranja
Com rapadura de mel.
E escute aqui, bacharel,
Conversa longa me atrasa.
Quer ver a mulher Ter filho?
Bote um plantador de milho
Pra dormir na sua casa.

Autor: Daudeth Bandeira

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Origem do Cordel

O que é e origem

A literatura de cordel é uma espécie de poesia popular que é impressa e divulgada em folhetos ilustrados com o processo de xilogravura. Também são utilizadas desenhos e clichês zincografados. Ganhou este nome, pois, em Portugal, eram expostos ao povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas.

Chegada ao Brasil

A literatura de cordel chegou ao Brasil no século XVIII, através dos portugueses. Aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular. Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente na região Nordeste do Brasil. Ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas em feiras populares.

De custo baixo, geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores. Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Este sucesso ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc.

Em algumas situações, estes poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público.

Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Mais recentes, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira.

Vários escritores nordestinos foram influenciados pela literatura de cordel. Dentre eles podemos citar: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dica de Filme: Pro dia nascer feliz

Documentário sobre as diferentes situações que adolescentes de 14 a 17 anos, ricos e pobres, enfrentam dentro da escola: a precariedade, o preconceito, a violência e a esperança. Foram ouvidos alunos de escolas da periferia de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco e também de dois renomados colégios particulares, um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro.

Os banhos de antigamente

Nos dias de hoje, o hábito de tomar banho se transformou em uma questão de higiene e até em momento de entretenimento. Cada dia mais, designers e decoradores investem na construção de espaços amplos onde a pessoa tem a oportunidade de relaxar e esquecer os problemas cotidianos. Em algumas residências, o espaço do banheiro chega a ser maior que o da própria cozinha. Além disso, buchas, cremes, xampus e sabonetes complementam esse momento onde buscamos conciliar higiene e prazer.

Para muitos, isso parece ser coisa simples e trivial. No entanto, se dermos uma olhada nos períodos históricos, descobriremos que as coisas nem sempre foram assim. O hábito de tomar banho e as formas de se cuidar da higiene corporal variou muito de acordo com os conceitos de saúde e doença de certo período. Além disso, os produtos e instrumentos empregados nessa tarefa eram bastante diferentes daqueles que hoje imperam nos banheiros.

No mundo greco-romano, o banho era uma ação realizada de forma coletiva. Várias termas eram construídas para que gregos e romanos pudessem cuidar de seu corpo. Para retirar a sujeira acumulada na pele, esses povos utilizavam uma ferramenta conhecida como strigil. O strigil consistia em uma espátula de ferro com trinta centímetros que era esfregada na pele depois que o corpo era todo besuntado com uma espécie de óleo. Em alguns casos, os escravos eram responsáveis pela limpeza de seus senhores.

Quando realizamos uma viagem para algum lugar inóspito ou limitado em recursos, o famoso banho de caneca acaba sendo a única alternativa para manter o corpo limpo. Na verdade essa ideia é bem antiga. Na Antiguidade, a ausência de redes encanadas e esgotos era suprida com a utilização de copos e bacias que permitiam a realização do banho. Geralmente, as pessoas se sentavam em uma cadeira enquanto despejavam pequenas porções de água nos lugares a serem higienizados.

Mediante tantas dificuldades e a limitação de recursos, você já deve estar aliviado por ter o inestimável privilégio de fazer uso de uma cheirosa e suave barra de sabão. Pois saiba que os antigos também pensaram nisso! Os babilônios realizavam uma mistura com gordura animal e cinzas vegetais para passar no corpo e no cabelo. Entre os egípcios a receita era um pouco mais elaborada, levando cinzas, bicarbonato de sódio e argila.

Entre os orientais, a necessidade de se higienizar a pele era intercalada pelo uso de pedra ou cerâmica para se esfoliar a camada mais superficial da pele. Para aliviar a agressão do processo, terminavam seu banho com a aplicação de água de flor de laranjeira, pentes, pastas e perfumes. Em algumas culturas do mundo oriental, esse tipo de procedimento ainda pode ser visivelmente reconhecido.

Os luxos e regalias que hoje temos na hora do banho apareceram há pouco tempo. Na Inglaterra do século XIX, as banheiras começaram a se popularizar entre as famílias mais abastadas. Em algumas residências, os empregados se apressavam para instalar a banheira no quarto com água quente antes que seus patrões chegassem em casa. Já o chuveiro elétrico, só ganhou mais espaço com o processo de urbanização das sociedades contemporâneas e a ampliação das redes de energia.

terça-feira, 15 de junho de 2010

As piores epidemias da História


No mundo contemporâneo vivemos uma situação, no mínimo, contraditória. A tecnologia e o conhecimento que permitem a cura de várias doenças vêm causando também o surgimento que novas epidemias que amedrontam diversas populações. Em geral, a utilização de alimentos geneticamente modificados, os agrotóxicos e a própria degradação da natureza em si são os fatores fundamentais que explicam o surgimento das epidemias, que não são nenhuma novidade na história humana.

Há mais de 3000 anos, os egípcios sofreram com um terrível surto de varíola que atingiu vários membros desta antiga civilização. A mesma doença, séculos mais tarde, atormentou o Japão (séc. VIII) e serviu como elemento de dominação das populações nativas da América, quando, no século XVI, os colonizadores espanhóis transmitiram a doença para os astecas.

No século V a.C., o mundo grego estava vivenciando um terrível conflito interno que colocava atenienses e espartanos em lados opostos. Conhecida como a Guerra do Peloponeso, esta contenda militar acabou assinalando a derrota dos atenienses. Segundo os relatos da época, como se já não bastasse a habilidade militar de seus inimigos, os atenienses foram acometidos por uma terrível e misteriosa doença que ficou conhecida como a “grande praga de Atenas”.

Continuando ainda pelo mundo antigo, também devemos destacar a malária como uma doença já reconhecida pelos romanos. Na época, não sabendo a relação entre o mal e a picada do mosquito Anopheles, eles acreditavam que a malária seria contraída em regiões impregnadas de “ar ruim”. Não por acaso, como medida preventiva, buscaram aterrar as regiões pantanosas que encontravam. Atualmente, cerca de 250 milhões de pessoas ainda sofrem com essa terrível anomalia.

No período medieval, o movimento cruzadista foi útil para que a população europeia fosse acometida pela lepra. Os soldados cristãos que eram atingidos pela doença, ao invés de serem vistos com repulsa, tinham suas mãos beijadas em reconhecimento de seus feitos sagrados. Dois séculos mais tarde, por conta das péssimas condições de higiene das cidades, a Peste Negra acabou matando 25 milhões de europeus em apenas três anos.

Ao contrário do que se pensa, a falta de planejamento dos espaços urbanos ainda serviu para a contração de outras doenças ao longo do tempo. No século XIX, vários centros urbanos asiáticos, europeus e americanos foram assolados com os efeitos devastadores da cólera. De maneira semelhante, os efeitos da febre tifoide foram decisivos para que grande parte dos soldados napoleônicos morresse durante o precipitado avanço dos franceses contra as gélidas e miseráveis terras russas.

No século passado, os horrores da Primeira Guerra Mundial não poderiam ser relacionados somente ao poderio bélico dos países envolvidos no combate. A gripe espanhola acabou matando cerca de 20 milhões de pessoas que viviam na Europa ou passaram por lá entre os anos de 1914 e 1918. No fim desse século, a geração do “amor livre” ficou aterrorizada quando, na década de 1980, a AIDS se transformou em uma terrível epidemia que hoje acumula um índice de 35 milhões de infectados.

O Museu do Estado de Pernambuco,

Um casarão do início do século XIX mantém instalado desde 1929 o Museu do Estado de Pernambuco. É aqui que grande parte da história da integração racial e artística da nossa gente está presente. Cercado por jardins, o museu expõe permanentemente um acervo de quase 12 mil peças. Destaque para os quadros a óleo que relatam a Insurreição Pernambucana, além de objetos e móveis coloniais, pré-históricos e indígenas. A visitação pode ser feita de terça a sexta, das 9 às 18h.

Endereço: Avenida Rui Barbosa, 960

Bairro das Graças, Recife
Tel: (81) 3427-9322
Visitação: 3ª a 6ª, das 9h às 17h30; sáb. e dom.,
das 14h às 17:30h.