Sejam Bem Vindos

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[...] nada do que já tenha ocorrido se perdeu para a história.WALTER BENJAMIN, Sobre o Conceito de História (1940)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O que é cultura?

      É comum dizermos que uma pessoa não possui cultura quando ela não tem contato com a leitura, artes, história, música, etc. Se compararmos um professor universitário com um indivíduo que não sabe ler nem escrever, a maior parte das pessoas chegaria à conclusão de que o professor é “cheio de cultura” e o outro, desprovido dela. Mas, afinal, o que é cultura?
     
     Para o senso comum, cultura possui um sentido de erudição, uma instrução vasta e variada adquirida por meio de diversos mecanismos, principalmente o estudo. Quantas vezes já ouvimos os jargões “O povo não tem cultura”, “O povo não sabe o que é boa música”, “O povo não tem educação”, etc.? De fato, esta é uma concepção arbitrária e equivocada a respeito do que realmente significa o termo “cultura”.
    Não podemos dizer que um índio que não tem contato com livros, nem com música clássica, por exemplo, não possui cultura. Onde ficam seus costumes, tradições, sua língua?
      O conceito de cultura é bastante complexo. Em uma visão antropológica, podemos o definir como a rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja, a sociedade. Essa rede engloba um conjunto de diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas, etc.
     Nesse sentido, podemos chegar à conclusão de que é impossível que um indivíduo não tenha cultura, afinal, ninguém nasce e permanece fora de um contexto social, seja ele qual for. Também podemos dizer que considerar uma determinada cultura (a cultura ocidental, por exemplo) como um modelo a ser seguido por todos é uma visão extremamente etnocêntrica.

domingo, 6 de junho de 2010

OS CRIMES DE NAPOLEÃO

Um livro que mostra um Napoleão nunca visto antes. Muito antes do Holocausto nazista, Bonaparte utilizou câmaras de gás embrionárias, criou campos de concentração na Córsega e em Alba e restabeleceu o tráfico de escravos, provocando milhares de mortes nas colônias francesas. 'Os crimes de Napoleão' é uma exposição das atrocidades pioneiras praticadas pelo imperador da França, e mais tarde repetidas por ditadores como Adolf Hitler.

Aqueus

Eram semi-nômades indo-europeus que migraram para a Grécia buscando terras férteis para plantarem alimentos. Viveram na Idade do Bronze. Ao adentrarem na Grécia, se depararam com os Pelágios que viviam na Idade da Pedra.
Reprimiram os pelágios, ocuparam seus terrenos férteis e criaram a civilização micénica. Depois de certo tempo, se depararam com a civilização cretense e então ficaram conhecidos como os opositores dos troianos na guerra.
Os aqueus então, passaram a ser chamados de gregos eram fortes comerciantes e submeteram a ilha de Creta, onde mais tarde dominaram também economicamente quase todo o Mediterrâneo Oriental.
Por volta de 1100 a.C., a civilização micénica entrou em decadência e findou então a Idade do Bronze na Grécia dando lugar a Idade das Trevas de durou cerca de 150 anos.

Guerra do Vietnã (1959-1975) - História da Guerra do Vietnã

 Conhecedores da geografia local, os guerrilheiros vietcongues se deslocavam através dos rios para preparar emboscadas para o inimigo

De natureza ideológica, foi o mais polêmico e violento conflito armado da segunda metade do século XX. Situado no Vietnã, contou com a determinação das guerrilhas comunistas do Vietnã do Sul (os chamados vietcongues), com o apoio do governo do Vietnã do Norte, para derrotar o governo do Vietnã do Sul.
O conflito afetou o Laos, onde o Pather Lao (comunista) derrubou o regime monárquico em 1975, e o Camboja, cujo governo rendeu-se, no mesmo ano, ao grupo comunista do Khmer Vermelho.
Nascido da luta do povo vietnamita pela libertação do jugo colonial francês, a chamada guerra da Indochina, o conflito tornou-se, no período de maior intensidade de participação americana, elemento essencial da Guerra Fria. Os Estados Unidos, que tinham apoiado a França na Indochina, acreditavam que a queda do Vietnã do Sul acarretaria a de outros países do Sudeste Asiático.
Foi durante a Guerra do Vietnã que se destacou o grupo comunista Viet Minh, fundado pelo líder revolucionário Ho Chi Minh, que, em sua luta pela libertação, contou com apoio político nos dois países, o do Norte, comunista, e o do Sul, pró-ocidental. Os comunistas proclamaram seu propósito de reunificar o país. John Fitzgerald Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, comprometeu-se a ajudar o Vietnã do Sul a manter sua independência. O conflito intensificou-se em 1964, quando dois destróieres dos Estados Unidos foram atacados por lanchas norte-vietnamitas, em águas internacionais do golfo de Tonquim. O presidente Lindon B. Johnson ordenou bombardeios de represália sobre o Vietnã do Norte.
A guerra continuou e as perdas humanas geraram um sentimento de repulsa na população norte-americana, que exigia o fim da guerra. Durante a campanha de 1967-1968, o general norte-vietnamita Vo Nguyen Giap iniciou a denominada ofensiva do Tet, de devastador efeito psicológico. Em 1969, o novo presidente, Richard Nixon, anunciou a progressiva retirada das tropas norte-americanas e, em 23 de janeiro de 1973, conseguiu um acordo para o cessar-fogo. Em dezembro de 1974, o Vietcong lançou uma grande ofensiva e, em 30 de abril de 1975, as tropas revolucionárias ocuparam Saigon. O Sul rendeu-se incondicionalmente. Cerca de 2 milhões de vietnamitas e 57 mil norte-americanos morreram no conflito.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A origem do diabo

      Ao falarmos sobre o século XXI, muitos, logo apontam essa como a era da tecnologia, da razão e da ampla circulação de conhecimento. Sob tal quadro, fica difícil imaginar que a figura mítica do demônio tenha espaço na explicação do mundo ou no próprio imaginário das pessoas. Entretanto, uma recente pesquisa demonstrou que o número de exorcistas, clérigos responsáveis pela expulsão de demônios, credenciados pela Igreja Católica, vêm crescendo de forma impressionante.

      De fato, desde que o mundo é mundo, observamos que as culturas ocidentais e orientais elaboram formas de explicar as mazelas que nos afligem. Nesse esforço, a construção de uma figura maligna, acaba assumindo os valores morais e comportamentos de menor prestígio em nossa cultura. Nas religiões cristã, judaica e islâmica, o mal encarna a figura de um indivíduo que se opõe a Deus e busca atormentar a vida de todos os seguidores de tais religiões.

      Para muitos especialistas, o desenvolvimento da figura diabólica é fruto das várias dualidades que permeiam o cotidiano do homem. O belo e o feio, a sorte e o azar, o certo e o errado, a vida e a morte compõem jogos em que um lado assume significação positiva e o outro, necessariamente, uma posição completamente negativa. Dessa forma, não se enganem aqueles que acreditam que o universo demoníaco seja um traço singular às três religiões anteriormente citadas.

      No século VI a.C., o profeta persa Zoroastro realizou a descrição de um ser chamado Arimã. Segundo as suas palavras, Arimã era o “príncipe das trevas” e travava uma eterna luta contra Mazda, o “príncipe da luz”. Segundo historiadores, esse valor da religiosidade persa acabou sendo incorporado pelos hebreus durante o famoso Cativeiro da Babilônia. Naquele instante, a interação com a cultura estrangeira deu origem ao “satan”, termo que em sua tradução literal significa “acusador” ou “adversário”.

      Em um primeiro momento, o demônio hebraico não assume a postura estritamente aterrorizante que reconhecemos no cristianismo. Em várias passagens do Velho Testamento, ele surge como uma espécie de colaborador que recebe a autoridade divina para punir ou testar os fiéis seguidores de Javé. O sofrimento de Jó, que perdeu todas as suas terras e ficou adoentado, exemplifica esse tipo de postura que o demônio assume inicialmente no texto bíblico.

      Por volta do século II a.C. a figura do demônio aparece em alguns textos apócrifos da tradição religiosa judaica. Se assumir uma feição muito bem definida, os demônios são apresentados como seres malignos que desorientam os indivíduos e os levam a cometerem atos deploráveis. No final das contas, o lado mais sombrio do imaginário religioso judaico esteve concentrado em descrições sobre o fim dos tempos. A fama do diabo apareceu mais tarde, com o aparecimento da religião cristã.

      Chegando aos textos do Novo Testamento, autores como São João e São Paulo dedicam linhas e mais linhas em terríveis batalhas em que o Diabo trava uma intensa guerra contra Deus. Nesse instante, de criaturas efêmeras e indefinidas, os demônios passam a fazer parte de uma legião de seres espirituais malignos chefiados por um líder supremo. Em uma dessas batalhas, podemos destacar uma descrição em que Lúcifer e um terço dos anjos são expulsos dos céus.

      No início do cristianismo, vários cristãos acreditavam que o demônio assumia a feição dos gladiadores e leões que os trucidavam nas arenas romanas. Somente no século IV, um concílio na cidade de Toledo descreveu minuciosamente o Diabo como um ser composto por chifres, pele preta ou avermelhada, com rabo e portador de um tridente. A partir de então, os relatos sobre experiências demoníacas ganhavam força em uma nova leva de narrativas.

      Assim, a figura do demônio assumia formas e logo seria portador de uma gênese individualizada. Em 1215, o Concílio de Latrão determinou que o Diabo e os demônios eram criaturas criadas por Deus que, por conta de suas opções particulares, preferiram se desviar da autoridade divina. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que o inimigo se tornava claramente reconhecido, outras histórias falavam sobre pessoas que se entregavam ao temível lado da obscuridão.

      De acordo com pesquisas mais recentes, a disseminação dos cultos aos demônios surgem justamente no efervescente século XIV. Em alguns países da Europa, a ordem dos Luciferinos pregava a ideia de que o escolhido de Deus era Lúcifer, por esse ter sido primordialmente designado como “o anjo de luz”. Na Itália, uma seita conhecida como “La Vecchia Religione” (A velha religião) organizava missas onde o pão consagrado era oferecido para os ratos e porcos.

      Na Idade Moderna, o demônio era o maior acusado de conduzir as pessoas a praticar os atos heréticos combatidos pela Santa Inquisição. Manuais de exorcismo detalhavam ricamente as manifestações e formas de se expulsar o capeta. Em vários casos, reforçando o ideal de fragilidade da condição feminina, as freiras apareciam em público tomadas por demônios, pronunciando várias ofensas contra Deus e os homens santificados pela Igreja.

      Após o Iluminismo, vemos que a preocupação com o demônio ganha uma ênfase menor mediante a disseminação das explicações científicas, principalmente no campo médico. No final do século XIX, a literatura romântica passou a incorporá-lo como um ser que representa a capacidade de o homem raciocinar livremente. Um dos mais conhecidos exemplos dessa outra significação aparece na obra “O Fausto”, escrito pelo alemão Johann Wolfgang Von Goethe.

      No século passado, a relação entre o demônio e o poder de constar padrões acabou sendo sistematicamente explorado na criação de boatos sobre artistas e celeridades do campo musical. Em meio à explosão dos meios de comunicação, a demonização de certos conjuntos musicais e artistas se transformaram em um caminho certo para a fama, seja ela positiva ou negativa. Afinal de contas, nada é mais avesso ao diabo que a própria banalização.

      Atualmente, a descrença no diabo acaba alimentando um interessante debate entre os pensadores da cultura. Para alguns destes, acreditar no diabo é algo fundamental para que a sociedade reforce os seus limites éticos e morais. Desconstruir uma imagem do mal pode levar as pessoas a simplesmente ignorarem os comportamentos hediondos. No fim das contas, acreditar nas forças malignas não deixa de ser uma forma de reforço às qualidades positivas do indivíduo.

Dica de Livro: Uma Breve Historia Do Mundo

      Em 'Uma Breve História do Mundo', o autor faz um balanço da fantástica saga da humanidade, compilada desde seus primórdios até os frenéticos dias atuais. Sem perder o foco, Blainey descreve a geografia das civilizações e analisa o legado de seus povos. O leitor deve se preparar para uma viagem inesquecível - saberá como eram as noites dos primeiros nômades; testemunhará o surgimento das religiões; questionará a carnificina das guerras e acompanhará a ascensão e queda dos grandes impérios. 'Uma Breve História do Mundo' entrelaça a história de um povo a outro, de forma didática.

A História da Corrida de São Silvestre

      Na década de 1920, o Brasil vivia claramente as passagens de um país dominado pelas elites agrícolas e o amplo desenvolvimento dos centros urbanos. As cidades e, principalmente, os meios de comunicação, abrigavam uma população que experimentava um ritmo de vida que se distinguia profundamente da zona rural. A esfera pública se tornava cada vez mais agitada por eventos que chamavam a atenção de milhares de pessoas.

      No ano de 1924, o jornalista Casper Líbero voltou de uma viagem à França maravilhado com uma corrida noturna em que os competidores carregavam tochas ao longo do percurso. Empolgado com o evento e apaixonado pelo esporte, resolveu promover uma corrida a ser realizada na virada daquele mesmo ano. Em 31 de dezembro de 1924, apenas quarenta e oito dos sessenta competidores compareceram na primeira edição da Corrida de São Silvestre.

      Ao longo do tempo, a competição sobreviveu ao mais variados contratempos que ameaçaram a sua existência. A Revolução Constitucionalista de 1932 e o advento da Segunda Guerra Mundial não foram suficientes para impedir que o evento anual prosseguisse e agregasse novos competidores. Com o tempo, alguns pouco estrangeiros recebiam convite para disputar a competição. O italiano Heitor Blasi, radicado no país, venceu as edições de 1925 e 1927.

      Em suas primeiras versões, a São Silvestre era realizada em 23 minutos e cruzava uma trajetória de 8,8 quilômetros. Os participantes não recebiam nenhum tipo de dieta especial e eram terminantemente proibidos de tomar água durante a prova. Carentes de um suporte especializado, os corredores utilizavam o mesmo calçado do treino para a corrida e usavam roupas que acumulavam suor em suas fibras. O improviso e a inexperiência atuavam como via de regra.

      Na medida em que a competição cresceu, a São Silvestre chamou a atenção de atletas profissionais do mundo inteiro. Atualmente, um corredor profissional prepara uma alimentação rica em carboidratos e suplementos tempos antes da prova. Além disso, a hidratação ao longo da corrida se tornou um grande aliado para suportar as elevações e o desgaste naturalmente produzido pela competição. Calçados especiais e aparelhos eletrônicos monitoram o desempenho dos atletas nos 15 quilômetros de competição.

      No ano de 1975, a ONU declarou aquele como sendo o Ano Internacional da Mulher. Atento ao impacto desse anúncio, a prova determinou que uma modalidade feminina também integrasse a competição. Nas primeiras vezes que isso aconteceu, homens e mulheres percorriam o trajeto em conjunto para só depois terem suas respectivas classificações em separado. Em 1989, o trajeto foi invertido, a competição passou a se realizar no período da tarde e a prova foi separada por sexo.

      Somente em 1991, quando a corrida passou a ter exatos 15 mil metros, foi que a Associação Internacional das Federações de Atletismo incluiu a São Silvestre no calendário internacional de provas de rua. Dois anos mais tarde, uma versão infanto-juvenil ampliou o público da competição e ganhou o nome de “São Silvestrinha”. Ainda hoje o queniano Paul Tergat é o detentor do recorde de tempo e um dos maiores vencedores da prova, com quatro vitórias.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dica de Filme: O Grande Ditador (1940)

      Estréia: Nova York (Astor – Capitole), 15 de outubro de 1940. O primeiro filme sonoro de Charlie Chaplin, onde ele expõe abertamente suas opiniões políticas. É um filme de denúncia, ridicularizando Hitler e seus subordinados. Sua preocupação em reconhecer os fatos tristes da guerra, antecipando e denunciando uma automatização da humanidade. Expressados pelo discurso de apresentação, por sua vigor em comandar a humanidade, demonstrando uma forma de exercer o poder. Ao percorrer as ruas em seu passeio em carro descoberto, as estátuas também explicitam suas convicções, fazendo uma exposição articulada de obediência à Hitler, com a saudação imposta por ele, demonstrando uma abertura ao socialismo.

      O barbeiro judeu interpretado por Charlie Chaplin ao fazer a barba de um cliente, ouvindo no rádio o discurso do poderoso ditador, impõe seu pensamento tomando atitudes contra o nazismo. A partir daí assume seu papel de defensor dos fracos, ganhando em agressividade e espírito crítico.
     
      A cena em que o mundo é tratado como uma bola frágil e perfeitamente controlável, demonstra a fragilidade do mundo contemporâneo, nas mãos de um fascista reacionário, o qual pretende provar seu domínio. Esta cena passa a ser uma motivação para a maneira de olhar e ver a capacidade de Hitler no domínio do mundo. O filme está permeado de ansiedade e tensão típicas de um período de guerra, mas, envolto na sátira e hábil maneira de expor seu entusiasmo ideológico.
  
      O filme ataca o totalitarismo e seus líderes, sendo o epílogo, com o discurso feito pelo barbeiro judeu, considerado como uma exposição contra um réu. Chaplin trouxe a preocupação com o momento histórico juntamente com a sensação hilária das comédias pastelões. Uma maneira diversa de encarar o mundo, suas preocupações, e as novas formas de domínio que estavam prontas para se estabelecer; sendo ele mesmo um participante e cúmplice das suas próprias ações.

Dica de Livro: Os Bestializados

      1888: Abolição do trabalho escravo. 1889: Proclamação da República. Neste livro, José Murilo de Carvalho convida-nos a revisitar o Rio de Janeiro em suas primeiras encenações como Capital Federal. Cidade Maravilhosa, se acrescentarmos ao belo, o terrível; ao cômico, o trágico; à lógica, a loucura.Cidade mais que imperfeita, palco de políticas oficiais e invisíveis, de enredos conhecidos e mistérios insolúveis.História social e literária, antropologia urbana, crítica cultural, análise política: o autor atravessa com brilho todos esses campos para reconstruir de forma originalíssima os impasses de uma República nascente, que teimam em perturbar ainda o sono das elites brasileiras.Os Bestializados de ontem e de hoje são a face oculta de nosso modernismo: a cidade permaneceu alheia e atônita, buscando perdidamente seus cidadãos.Francisco Foot Hardman

Islamismo Religião ou Política?

      Quando se fala na questão árabe-israelense, o que vem a mente é de que o motivo principal dos conflitos é a diferença religiosa entre eles. Muçulmanos contra judeus. Mas, na verdade as diferenças religiosas não é a causa dos problemas: estes residem em questões de fundo econômico e político. O nascimento de Israel se deve a decisões da Organização das Nações Unidas, sob influência, especialmente, dos ingleses que ocuparam a região até o final da Segunda Guerra.

      É um país pró-ocidental que nasceu no momento de retomada da soberania, privada aos árabes por muitas décadas. Além do mais, o reconhecimento de Israel como Estado soberano implicava expatriação dos palestinos. Dessa forma os judeus passavam a ter o seu Estado Nacional, enquanto aos palestinos restava vagar pelos países vizinhos, gerando problemas de aceitação. Após a Guerra dos Seis Dias, onde Israel, com o auxilio do material bélico ocidental, ocupou novos territórios árabes, em especial a região prevista pela ONU para a criação do Estado palestino, inúmeros protestos foram feitos àquela entidade o que provocou uma decisão que obrigava Israel a abandonar a zona ocupada.

      Há, aproximadamente, duas décadas, Israel vem alegando questão de segurança, se escudando do território de organizações palestinas, desrespeitando a decisão da ONU. Além disso, nos últimos anos Israel vem ampliando, o processo de formação de colônias judaicas nos territórios palestinos. Dessa forma fica claro que o interesse israelense e árabe não é religioso, mas sim político e econômico, tendo em vista que todo o conflito gira em torno da ocupação da Terra Santa.

As representações de Cristo


      A representação de Cristo é um tema polêmico que, desde o século XVIII, desperta a curiosidade de vários pesquisadores e religiosos. Na verdade, essa polêmica remonta a sociedade onde o próprio Cristo nasceu. Os judeus, preservando os ideais de sua prática religiosa e condenando a idolatria dos estrangeiros, proibia a produção de retratos. Dessa forma, a missão de revelar as feições do líder religioso ficou a cargo de diversos pintores e escultores que se lançaram a essa mesma missão.
      Um dos mais antigos relatos sobre a representação de Jesus foi constatado em uma narrativa mítica do século VI, referente ao Sudário de Verônica. Segundo o mito, Abgar, rei de Edessa (atual Síria), enviou um artista para que o mesmo pudesse produzir um retrato de Cristo. Ao encontrar o líder religioso, o artista enviado não conseguiu cumprir sua missão, pois o rosto de Cristo emanava uma intensa luz. Com isso, Jesus teria usado uma toalha que ficou marcada pelos traços de seu rosto.
      No entanto, a primeira representação historicamente comprovada foi encontrada em uma parede do Pedagogium, a antiga escola da guarda imperial. Neste desenho, criado por volta do século III, há a representação de um homem com cabeça de asno crucificado, enquanto um grego lhe presta adoração. A imagem depreciativa, provavelmente seria de autoria de algum soldado romano não muito convencido do caráter divino do Messias.
      Sendo a idolatria a imagens igualmente refutada pelos cristãos primitivos, muitos subvertiam a ordem com a criação de diversos símbolos que remetiam a Cristo Jesus. Entre diversos símbolos podemos destacar a cruz, as iniciais de seu nome e a âncora. Havia também um acróstico produzido a partir da fase “Iesus KHristos Theou Uios Soter” (Jesus Cristo Filho de Salvador), onde suas iniciais formavam a palavra peixe, animal até hoje associado ao Cristianismo.
      No entanto, a refutação a uma representação humana de Cristo logo passou a ser praticada pelos cristãos, a partir do século III. Utilizadas como grande meio de divulgação e conversão religiosa, as imagens de Cristo passaram a contar com uma diversa gama de situações encenadas. Uma das representações mais comuns coloca Cristo em meio aos animais, fazendo alusão à idéia do poder que o Messias teria de liderar os cristãos e converter os homens.
      Em outras imagens mais poderosas, percebemos uma tentativa de valorização da dimensão sobrenatural de Cristo. Nesse tipo de representação temos a ação do Messias durante os julgamentos do Juízo Final, onde estaria separando os bons e os maus. Em outras representações com temática semelhante, Cristo aparece realizando milagres por meio de uma varinha que leva nas mãos. Outro tipo ainda alude à pregação religiosa mostrando um Cristo jovem palestrando aos seus seguidores.

      Todas essas representações de um Cristo imperioso e ativo perdem espaço ao longo da Idade Média. A partir da Baixa Idade Média temos várias representações em que Jesus sofre com os suplícios de seu processo de crucificação. De fato, a imagem predominante de Jesus Cristo tem um rosto de traços suaves, pele clara, olhos claros, barba fina e cabelos ondulados. Essa representação surgiu no tempo das Cruzadas, época em que os não-brancos representavam os pagãos.

      Em um recente estudo desenvolvido pela Universidade de Manchester, tendo como base o crânio de um judeu do século I, houve a tentativa de se formular um desenho aproximado do Cristo naquela época. Por meio de avançados recursos de computação gráfica chegaram à conclusão de que Jesus, provavelmente, teria um rosto arredondado, cabelos negros, pele amorenada e uma braba grossa.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Agricultura = Evolução?

      Durante muito tempo, os historiadores colocaram a coleta e a agricultura como duas experiências que marcam uma completa ruptura na civilização. Contudo, novas pesquisas apontam que essas duas atividades conviveram durante muito tempo na história do homem. A princípio, a agricultura ocupava uma função complementar na alimentação, sendo assim colocada como outra via de sobrevivência paralela à caça e a busca de frutos ou plantas.

      Sendo assim, não podemos dizer que a descoberta da agricultura foi um avanço que fatalmente determinou o abandono das antigas formas de obtenção dos alimentos. Vale aqui destacar que a caça envolvia toda uma preparação onde os caçadores se encontravam promovendo a interação entre os grupos e o desenvolvimento de hábitos culturais diversos. Não é possível, assim, sugerir que a busca por alimentos se dava em função apenas da urgente necessidade de sobrevivência.

      Só após a última glaciação, por volta de 10000 anos a.C., foi que as alterações do clima foram dando maior espaço para o desenvolvimento da técnica agrícola. Com o passar do tempo, a vida sedentária permitiu que casas e povoados tivessem cada vez mais destaque entre as comunidades humanas. Ao mesmo tempo, as trocas comerciais e a domesticação de animais passavam também a incorporar a construção desse novo cotidiano responsável pelo aparecimento das primeiras civilizações.

      Observando essa nova realidade, muitos leigos e especialistas detectaram o alcance de uma melhora qualitativa no estilo de vida do homem. Afinal de contas, a agricultura permitia a estocagem de alimentos e o planejamento das colheitas em função das transformações climáticas decorridas ao longo de um tempo. A sobrevivência deixava de lado uma série de riscos para então se transformar em uma ação planejada com base na capacidade intelectual do homem.

      Apesar de tais justificativas, existem aqueles que discordam desse ponto de vista ao acreditar que a opção pela agricultura foi uma das piores escolhas realizadas pela civilização. O biólogo Jared Diamod, por exemplo, acredita que a sedentarização pela agricultura minou o desenvolvimento do tom igualitário que permeava as sociedades coletoras. A agricultura seria a grande responsável pelo desmatamento, a superpopulação, os conflitos militares e a constituição das diferenças sociais.

      Para muitos, é quase impossível imaginar a viabilidade da vida humana sem a utilização das técnicas agrícolas. Por outro lado, vemos que a atualidade tem a expressa preocupação em repensar os seus paradigmas de desenvolvimento e consumo. Não seria esse um indício de que a simples ampliação do domínio sobre a natureza não garante a sustentação da vida na Terra? Essa é uma resposta que apenas o futuro tem a competência de nos fornecer.