Sejam Bem Vindos

Estou aqui na tentativa de criar um blog relacionado a pesquisas e temáticas que abordem toda a produção histórica.
Mande seu trabalho ou pesquisa para ser publicado no blog e ajude a espalhar cada vez mais o conhecimento.
Contato: Handresson2007@hotmail.com

[...] nada do que já tenha ocorrido se perdeu para a história.WALTER BENJAMIN, Sobre o Conceito de História (1940)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Recife


      O recife guarda muitas histórias do seu passado colonial. seguir a rota Judaica é lembrar a época em que pernambuco esteve governado pelos holandeses(1630 a 1654)

Rua do Bom Jesus (Bairro do Recife)
      No tempo da ocupação holandesa era chamada rua dos judeus. Nela Viviam e comerciavam os principais judeus da cidade. também ali ficava a Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Américas, hoje Centro Cultural Judaico de Pernambuco.

Casa de Duarte Saraiva
      Antes da construção da Sinagoga Kahal Zur israel (1641), na casa de Duarte Saraiva, rico comerciante e líder comunitário, eram realizados os cultos religiosos judaicos. o imóvel mantém sua fachada original do século XVII (até o primeiro pavimento). Rua do Bom Jesus, 143.

Sinagoga Kahal Zur Israel
      como primeira sinagoga das Américas, é um marco de história judaica e do Brasil Holandês. O predio, após escavação arqueológica, foi restaurado e aberto ao público em 2001, com o nome de Centro Cultural Judaico de Pernambuco - CCJPE. as principais descorbertas foram preservadas para exibição: o piso original da época, objetos do século XVII, e, como princaipal achado. o Mikvê, que ´um tanque de purificação importante para alguns rituaisjudaicos. O CCJPE tem sala de exposição de videos e núcleos de exposições sobre a cultura judaica em pernambuco. No segundo piso fuciona o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, responsável pela musealização do ambiente e pelo centro de pesquisas sobre o tema.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Aviso!!!

Estou um pouco ausente por conta das ferias, mas logo estarei de volta com força total cheio de novidades para vocês amantes de História. Espero a compreensão de todos obrigado e colabore conosco mandando sua idéia, fui.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Historiadores contra a queima de arquivos

Matéria publicada em 22 de julho de 2010
Historiadores contra a queima de arquivos
Pesquisadores e arquivistas se mobilizam contra projeto de lei do Senado que prevê destruição de documentos guardados há mais de 5 anos


Os profissionais ligados à preservação da história do país estão se mobilizando contra o Projeto de Lei n.º 166, que tramita no Senado Federal. O motivo do descontentamento é o artigo n.º 967, que propõe a destruição de autos judiciais arquivados há mais de cinco anos. Se aprovada, a nova lei reativaria um mecanismo promulgado pelo governo do general Emílio Garrastazu Médici, durante o período da ditadura militar.


O Projeto de Lei prevê a preservação dos documentos judiciais somente em duas situações: se a guarda dos mesmos for reclamada por alguém ou se a autoridade jurídica decidir que determinado processo tem valor histórico. Os historiadores e arquivistas argumentam que todo e qualquer documento pode servir de fonte histórica, e que não cabe ao judiciário julgar o “valor” dos autos penais.


A Associação Nacional de História (ANPUH) enviou essa semana uma carta ao presidente da casa e autor do projeto, o senador José Sarney, pedindo a reformulação do texto. Para a entidade, os documentos devem ser preservados em arquivos públicos em seus suportes originais; além disso, a entidade propõe que a decisão de destruição de qualquer documento por motivo, por exemplo, de falta de espaço, deve ser tomada por uma comissão de profissionais reconhecidos pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq).

A luta contra a proposta de lei não se restringe aos profissionais da área: no site da ANPUH (www.anpuh.org) é possível acessar um abaixo assinado pela revogação do artigo 967 do projeto. Também está disponível na página eletrônica a íntegra da mensagem enviada ao senador José Sarney, além da sugestão de ementa elaborada pela associação. Até o momento, a ANPUH não recebeu nenhuma resposta do Senado Federal.

Fonte:
 http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/historiadores_combatem_queima_de_arquivos.htm

Movimento Zapatista

O movimento zapatista é uma manifestação do EZLN (Exército Zapatista da Libertação Nacional) em forma de guerrilha formada por camponeses e grupos indígenas que reivindicam a participação do México junto ao Nafta. Iniciou publicamente a ativamente em 01 de janeiro de 1994 quando o território de Chiapas, sede do movimento e região predominantemente agrária, passou a ser debatido no mercado internacional. Chiapas é um território habitado por camponeses e indígenas que buscam viver de forma própria como foram ensinados pelos seus ancestrais.

Em fevereiro de 1996, o governo federal se comprometeu em garantir os direitos indígenas de todo o território mexicano, mas não cumpriram o acordo fazendo com que os zapatistas se fortalecessem militarmente a fim de defender seu território. Apesar de não serem violentos e não buscarem guerra, os zapatistas tiveram necessidade de se manterem preparados.

O principal objetivo do movimento zapatista é de continuarem sendo cidadãos mexicanos, mas que se orgulham do passado indígena do país e buscam desenvolver e divulgar a cultura, os costumes e os direitos dos seus antepassados.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dica de Filme: 1900

Epopéia que narra o processo de conscientização de camponeses italianos submetido aos grandes senhores, durante a primeira metade do século XX. Saga feita com a habitual competência de Bertolucci, idealiza os oprimidos, sataniza os ricos, mas é grande cinema e excelente referência histórica.

Dica de Filme: Uma cidade sem passado

filme eletrizante mostra pesquisa histórica imbricada com o cotidiano dos habitantes de uma pequena cidade alemã depois da Segunda Guerra Mundial. Diferenças entre História e memória, subterfúgios para esconder documentos e criar uma História oficial, tudo se cruza nesse filme alemão extraordinário.

Na Alemanha da década de 70, a jovem Sonja, uma estudante querida em ua comunidade, premiada como ensaísta, reolve se inscrever num concurso de monografias sobre o tema "Minha Cidade Durante o Terceiro Reich". Usando das relações e do prestígio de seus parentes, Sonja pensa que será fácil obter informaçõe nos arquivos de ua cidade, mas nem todos querem colaborar. Ninguém quer remexer o passado, se envolver. E a jovem tem que enfrentar a sociedade, numa desagradável busca, num momento inoportuno. Ela insiste, mas a cidade quer silenciá-la. Sonja reolve atingir seu objetivo, nem que para tanto leve toda sua vida para ter acesso aos arquivos, às verdades dos que viveram ob o regime nazista. Um filme sarcástico baseado em uma história real.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A origem das micaretas

A semana do carnaval movimenta milhares de pessoas no Brasil, todas em torno de nossa mais expressiva festa popular. Como a grande maioria sabe, esse festejo veio da Europa e começou inicialmente a ser comemorado nos requintados salões de festa do Rio de Janeiro do século XIX. Com passar do tempo, a comemoração foi para as ruas e hoje é celebrada em diferentes partes do território. O “gosto pelo carnaval” chegou a tal ponto que, segundo alguns dizem, o brasileiro inventou o “carnaval fora de época”.

No entanto, mesmo sendo tão apreciada, as famosas micaretas estão longe de serem uma invenção do nosso povo. O termo micareta vem da expressão francesa “mi-carême”, que significa “meio da Quaresma”. Como o próprio nome diz, os primeiros carnavais fora de época da nossa história aconteceram na França do século XV, bem no meio da Quaresma, tempo estipulado pelo calendário católico-cristão para as pessoas se absterem dos prazeres terrenos.

No Brasil, algumas pesquisas trazem indícios de que a nossa primeira micareta teria acontecido há um século, na cidade de Jacobina, interior da Bahia. Naturalmente, essa primeira manifestação não contou com toda a parafernália que hoje marcam as micaretas espalhadas por todo o país. Na década de 1950, os baianos inventaram o primeiro trio-elétrico, espécie de carro alegórico que conduzia uma banda durante os festejos do carnaval.

Durante várias décadas o uso do trio-elétrico e o carnaval fora de época ficaram restritos às festas acontecidas na Bahia. Somente em 1989, os foliões de Campina Grande, na Paraíba, tiveram a idéia de organizar a Micarande, a primeira micareta organizada fora dos domínios baianos. A partir de então, esse movimento expandiu e passou a formar uma rentável atração turística que movimenta grandes quantidades de dinheiro pelo país afora.

Hoje em dia, para participar desse evento, as pessoas desembolsam uma razoável quantia para adquirir o famoso “abadá”. Essa vestimenta, que permite o ingresso do folião, tem origem na cultura africana. Nos cultos religiosos afro-brasileiros, o abadá designava uma túnica apropriada para a celebração de determinados rituais. Tempos mais tarde, foi reutilizada para nomear a roupa dos capoeiristas. No ano de 1993, a Banda Eva popularizou o termo quando apelidou a roupa do seu bloco com o mesmo nome.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dica de Livro: A proletarização do professor Neoliberalismo na Educação

Autores: Áurea costa, edgard neto e gilberto souza

“ Desde as primeiras escolas brasileiras, organizadas pela companhia de Jesus durante o período colonial, passando pela reforma pombalina, o inicio da universalização da educação na década de 30 – marcada pela fundação da USP -, os acordos MEC USAID nos anos de chumbo, até nossos dias com a submissão à lógica neoliberal, a educação sempre esteve vinculada às necessidades das classes dominantes.

Hoje pode-se sempre constatar uma falência da escola pública, onde sequer o letramento e operações matemáticas básicas são aprendidos pelos estudantes. Essa situação transforma jornalistas em especialistas educacionais, e dezenas de ONGs, bancos e fóruns educacionais são criados, sempre demonstrando a incompetência da gestão escolar pública e baixa formação do docente, responsabilizando os professores por esta crise educacional e apontando soluções privatizantes.

O livro apresenta três ensaios que nos permitem compreender a política neoliberal aplicada à educação e as conseqüências das sucessivas reformas educacionais, e desnudam as péssimas condições de trabalho dos professores. Por fim, apresentam uma alternativa sob a ótica dos trabalhadores.

O grande mérito destes ensaios é fornecer uma visão marxista sobre a educação: devem ser compreendidos como uma arma na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos e em todos os níveis. Em meio à hipocrisia das classes dominantes no tocante à educação, esta obra é de leitura obrigatória a todos que acreditam ser necessário na luta pelo socialismo.”

“Este é um livro fundamental para todos aqueles que defendem o direito universal a educação e para os professores e militantes dos movimentos sociais que defendem a escola publica contra as investidas privatizantes dos vários governos que servem ao capital.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Dica de Filme: Spartacus

(tem que ser o original, de 1960, com Kirk Douglas protagonizando e direção de Stanley Kubrick): idealização dos escravos romanos, a partir do livro homônimo de Howard Fast. Mesmo assim, raro exemplar de desconstrução da estrutura de poder de Roma e de percepção dos limites da luta política por parte dos escravos.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Civilização Japonesa Parte 8 de 8

O fast food japonês
Em um dia atribulado, a falta de tempo para uma refeição completa costuma ser substituída por algum tipo de alimento que reponha as nossas energias. Sem nenhum tipo de distinção sócio-econômica, o fast food já serviu como paliativo para vários tipos de pessoas. Para muitos, essa prática sinaliza um traço particular dos nossos tempos, onde o tempo para se alimentar ganhou outra significação. Mas afinal, de onde surgiu essa idéia de se comer um fast food?

Logicamente, essa forma improvisada de saciar a fome aconteceu em momentos diversos de nossa história. Geralmente, as pessoas acreditam que esse tipo de comida é uma invenção da indústria alimentar norte-americana, hoje tão conhecida pelas cadeias de lojas multinacionais que são facilmente localizadas nos grandes centros urbanos de qualquer país. No entanto, o “milagre” atribuído aos filhos da terra do Tio Sam parece ter outro candidato à sua autoria.

Nas primeiras décadas do século XIX, a cidade de Tóquio, então conhecida como Edo, tinha suas vias apinhadas de gente bastante ocupada. Com o passar dos tempos, aproveitando aquele filão em potencial que tomava corpo, diversas barraquinhas se espalharam pelas ruas daquela cidade oferecendo pratos saborosos de fácil preparo e baixo custo. Entre os japoneses, esse tipo de instalação gastronômica ficou conhecido como “yatai”.

Segundo alguns pesquisadores, foi no corre-corre de uma dessas yatai que o engenhoso cozinheiro Hanaya Yohei teve a brilhante idéia de reinventar as técnicas de preparação de um antigo prato da culinária japonesa. Nesse primeiro prato, um tipo de “sushi ancestral”, utilizava o arroz como uma espécie de conservante para o peixe cru. Anos depois, o arroz passou a ser consumido junto com o peixe, dando origem ao namanarizushi.

A grande idéia atribuída à Hanaya foi a de temperar o arroz com vinagre e servi-lo enrolado com outros tipos de recheio, como legumes cozidos ou peixe cru. Para dar um toque final, toda a mistura era enrolada com um uma folha comestível feita à base de algas chamada de nori e servida com uma pitada de pasta de wasabi (um tipo de raiz) e gengibre. Dessa maneira, o popular sushi teria sido inventado e, com a imigração nipônica, espalhado para os quatro cantos do mundo.

Civilização Japonesa Parte 7 de 8

Língua Japonesa

Língua aglutinante falada por mais de 120 milhões de pessoas que vivem no Japão, 200 mil no Havaí, 200 mil nos Estados Unidos e quase 400 mil no Brasil.

Não há relação entre o japonês e outras línguas. Só existem semelhanças no léxico com as línguas do leste da Ásia, como as tibetano-birmanas e as austro-asiáticas.

Do século VIII em diante, apenas os caracteres da língua chinesa passaram a ser utilizados como sinais fonéticos — cada signo representava uma sílaba. Um século depois, esses caracteres foram abreviados e deram lugar à aparição de dois silabários japoneses ou kana ("sinal que representa uma sílaba"): o katakana e o hiragana. Depois da II Guerra Mundial, o número de caracteres caiu para 1.850, subindo em seguida para 2.000, num significativo processo de simplificação da língua escrita.

Civilização Japonesa Parte 6 de 8

Caratê - História do Caratê

Do japonês, "mão vazia", arte marcial de autodefesa de origem japonesa na qual, a partir de posições de equilíbrio, se dirigem socos ou chutes ao adversário, acompanhados de respiração controlada e gritos especiais. Mais do que um método de combate, o caratê enfatiza a autodisciplina, a atitude positiva e os propósitos de elevada moral. É ensinado profissionalmente, em diferentes níveis e com diversos nomes asiáticos, como habilitação para a autodefesa, esporte competitivo ou como exercício de estilo livre.
Estes alunos, vestidos com a indumentária tradicional gi, praticam o caratê não só como método de defesa pessoal, mas também como forma de exercício, esporte de competição e disciplina mental.

Civilização Japonesa Parte 5 de 8

Samurais - História dos Samurais

Classe guerreira do Japão ou os membros desta classe. Os samurais apareceram como administradores das províncias que representavam os cortesãos ricos residentes na capital Kyoto. Formaram uma casta privilegiada até 1871, quando todo o sistema feudal foi abolido.

Os samurais, que formavam uma classe social, serviam aos clãs poderosos chamados daimios e a senhores militares ou xoguns, que governaram o Japão do século XII até 1867. Os samurais orientavam-se por um estrito código chamado bushido ("a conduta do guerreiro"), que unia o ideal de lealdade e o de sacrifício.


Dica de Filme: Reds

Mais de três horas de duração, três oscars conquistados por este surpreendente filme que conta sobre a Revolução Russa de outubro de 1917 pela ótica de um jornalista americano. As coisas ficam mais difíceis quando ele resolve levar a revolução socialista para o seu país de origem.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Desculpas pela ausência

Bom dia, boa tarde ou boa noite amigos. Estou aqui para comunicar que passei seis dias ausentes por conta do casamento do meu irmão que foi no dia 11.07.2010, mas já estou trabalho novamente no blog e abaixo tem duas novas postagens sobre a civilização japonesa. Espero que vocês aproveitem bastante. Obrigado pela compreensão de todos.

Atenciosamente: Handresson

Civilização Japonesa Parte 4 de 8

Literatura Japonesa - História da Literatura Japonesa

Introdução

O termo inclui obras escritas por japoneses nas línguas japonesa e chinesa. O presente artigo se ocupa principalmente das obras em língua japonesa.

A literatura japonesa desenvolveu-se nos períodos Yamato, Heian, Kamakura-Muromachi, Edo e moderno, denominados assim de acordo com a sede do principal centro administrativo japonês da época.

Período Yamato (de épocas arcaicas até o final do século VIII d.C.)

Ainda que não existisse literatura escrita, foram compostas um número considerável de baladas, orações rituais, mitos e lendas que, posteriormente, foram reunidas por escrito e incluem-se na Kogiki (Relação de questões antigas, 712) e a Nippon ki (Livro de História do Japão antigo, 720), primeiras histórias do Japão que explicam a origem do povo, a formação do Estado e a essência da política nacional. A lírica surgida das primitivas baladas incluídas nestas obras estão compiladas na primeira grande antologia japonesa, a Maniosiu (Antología de inumeráveis folhas), realizada por Otomo no Yakamochi depois de 759 e cujo poeta mais importante é Kakimoto Hitomaro.

Período Heian (final do século VIII até o final do século XII)

A Kokin-siu (Antologia de poesia antiga e moderna, 905) foi reunida pelo poeta Ki Tsurayuki que, no prefácio, proporcionou a base para a poética japonesa. Ki Tsurayuki é também conhecido como autor de um nikki, primeiro exemplo de um importante gênero literário japonês: o diário.

Escrito pela japonesa Murasaki Shikibu no século XI, é considerada a obra capital da literatura japonesa e o primeiro romance propriamente dito da história. Nesta cena do capítulo Asagao, o príncipe Genji acaba de regressar de uma frustrante visita ao palácio de sua amante, a princesa da Glória Matutina. Enquanto conversa sobre suas outras amantes com sua esposa favorita, Murasaki, contempla como suas criadas jogam na neve. O romance está repleto de ricos retratos da refinada cultura do Japão do período heian, que se mesclam com agudas visões da fugacidade do mundo.

A literatura do começo do século X aparece em forma de contos de fadas, como O conto do cortador de bambú, ou de poemas-contos, entre eles, Ise monogatari (Contos de Ise, c. 980). As principais obras da literatura de Heian são Genji monogatari (Contos ou História de Genji, c. 1010) de Murasaki Shikibu, primeiro importante romance da literatura mundial, e Makura-no-soshi (O livro travesseiro) de Sei Shonagon.

Período Kamakura-Muromachi (final do século XII até o século XVI)

A primeira de várias antologias imperiais de poesia foi a Shin kokin-siu (Nova coleção de poemas antigos e modernos, 1205) resumida por Fujiwara Teika. A obra em prosa mais famosa do período, os Heike monogatari (Contos do clã Taira, c. 1220), foi escrita por um autor anônimo. Destacam-se A cabana de três metros quadrados (1212) do monge Abutsu, e Ensaio em ócio (1340) de Kenko Yoshida. O tipo de narrativa mais importante desta época foram os "otogizoshi", coleção de relatos de autores desconhecidos.

O desenvolvimento poético fundamental do período posterior ao século XIV foi a criação do renga, versos unidos escritos em estrofes repetidos por três ou mais poetas. Os maiores mestres desta arte, Sogi, Shohaku e Socho, escreveram, juntos, o famoso Minase sangin (Três poetas em Minase) em 1488.

Período Edo (século XVII-1868)

Neste período de paz e riqueza surgiu uma prosa obscena e mundana de um caráter radicalmente diferente ao da literatura do período precedente. A figura mais importante do período foi Ihara Saikaku, cuja prosa em O homem que passou a vida fazendo amor (1682) foi muito imitada. No século XIX foi famoso Jippensha Ikku (c. 1765-1831), autor da obra picaresca Hizakurige (1802-1822).

O haicai, um verso de 17 sílabas que reflete a influência do zen, foi aperfeiçoado neste período. Três poetas destacam-se por seus haikais: o monge mendicante zen Basho, considerado o maior dos poetas japoneses por sua sensibilidade e profundidade; Yosa Buson, cujos haikus expressão sua experiência como pintor, e Kobayashi Issa. A poesia cômica, numa diversidade de formas, influenciou também este período.

Período Moderno (1868 até a atualidade)

Durante o período moderno os escritores japoneses foram influenciados por outras literaturas, principalmente as ocidentais.

No século XIX destacam-se os romances de Kanagaki Robunis, Tokai Sanshi, Tsubuochi Shoyo e Futabei Shimei. Ozaki Koyo, fundador da Kenyusha (Sociedade dos amigos do nanquim), incorporou técnicas ocidentais e influenciou-se em Higuchi Ichiyo.

No século XX surge o naturalismo, cuja figura principal é Shimazaki Toson. Mori Ogai e Natsume Soseki se mantiveram afastados da tradição francesa dominante. Destacam-se também o autor de relatos Akutagawa Ryunosuke, Yasunari Kawabata (Prêmio Nobel em 1968), Junichiro Tanizaki, Yukio Mishima, Abe Kobo e Kenzaburo Oé (Prêmio Nobel em 1994).

Do final do século XIX aos nossos dias existe um forte movimento a favor da poesia ao estilo ocidental. Dentro deste gênero, surgiram excelentes poetas. Entre eles, Masaoka Shiki. 

Teatro Japonês

Teatro escrito e interpretado no Japão desde o século VII d.C. Sua evolução deu lugar a uma ampla variedade de gêneros, caracterizados em geral pela profusão de elementos dramáticos, musicais e coreográficos, e regidos até bem pouco tempo por normas bastante rígidas.

As danças do teatro gigaku, introduzido no Japão no ano 612 d.C. a partir da China, eram aparentemente de caráter cômico. No século VIII foram substituídas pelo bugaku, espetáculo importado da China, cujas danças apresentavam situações simples, mas que adquiriram um caráter ritual.

O sangaku, espetáculo de tipo acrobático (funambulismo, malabarismo e engoliçar de espadas) tornou-se popular no século VIII.

No século XIV surgiu o gênero do Teatro nô, e em fins do século XV o teatro de títeres, jôruri, também chamado bunraku. O grande dramaturgo japonês Chikamatsu Monzaemon foi um dos grandes escritores deste gênero.

A partir do século XVIII, o kabuki se tornou o gênero de teatro tradicional de maior popularidade. Mais próximo de um espetáculo que do teatro em si, seus textos originais têm importância menor que a interpretação, a música, a dança e as cores brilhantes do cenário.

Atualmente os dramaturgos vêm abordando o conflito entre a sociedade moderna e a tradicional. Yukio Mishima obteve grande êxito com Cinco peças modernas do teatro nô (1956), em que apresentou uma versão modernizada de temas tradicionais. O grou do crepúsculo (1949), de Kinoshita Jungi, também tem por base antigos contos populares.

Civilização Japonesa Parte 3 de 8

Civilização Japonesa - História da Civilização Japonesa

Duas crônicas semi-míticas, o Kojiki (Registros de assuntos antigos) e o Nihon shoki ou Nihongi (Crônicas do Japão), o primeiro compilado em 712 d.C. e o segundo em 720 d.C., são os registros mais antigos da história japonesa, juntamente com os relatos chineses. Essas crônicas falam dos sucessos ocorridos entre os séculos VII a.C. e VII d.C. e são as principais fontes da história antiga do Japão.

Os primeiros colonos do arquipélago japonês provavelmente procediam da zona oriental da Sibéria durante o neollítico, por volta do ano 3000 a.C., mas a evidência lingüística sugere também a presença de alguns colonizadores das ilhas polinésias. Também é possível que os ainos tenham chegado ao arquipélago durante essa primeira fase, mas nos primeiros tempos predominavam os protojaponeses de raça mongolóide.
As crônicas oficiais chinesas da dinastia Han contêm a primeira menção registrada ao Japão. Falam que, no ano 57 d.C., havia o estado de Nu en Wo, que era um dos numerosos estados que ocupavam o arquipélago japonês. As crônicas também mostram uma sociedade bastante desenvolvida com uma organização hierárquica, marcada por um comércio de intercâmbio.

No ano 200, a imperatriz Jingu assumiu o governo depois da morte do seu marido, o imperador Chuai (que reinou de 192 a 200). Há relatos de que a imperatriz equipou uma armada e invadiu e conquistou uma parte da Coréia. Embora haja poucas evidências históricas da existência de Jingu, crônicas coreanas do século V registram a ocorrência de uma grande expedição feita a partir de Wo, por volta de 391.

O período Kofun (c. 300-710 d.C.) foi uma etapa de unificação sob a casa imperial. O imperador Jimmu estendeu seus domínios até Yamato, que deu seu nome à casa imperial. O governo dos Yamato consolidou o seu poder com a criação de uma forma primitiva de xintoísmo, que também servia de instrumento político. Os caudilhos yamatos exerceram um controle indireto sobre várias tribos, conhecidas com o nome de uji, entre as quais as mais importantes foram a muraji e a omi. O governo do clã imperial era mais nominal do que real, embora sua principal divindade, a deusa do Sol, fosse venerada por todos.

No século VI, a corte de Yamato tinha perdido o poder, incapaz de impor-se diante das tribos uji e derrotada na Coréia. O budismo, que chegou ao arquipélago no ano 552, espalhou-se rapidamente pela população e, no começo do século VII, já tinha ganhado o status de religião oficial.

O período Asuka começou quando a imperatriz Suiko (que reinou de 593 a 628) subiu ao trono e construiu seu palácio no vale de Asuka. Seu sobrinho e regente, Shotoku Taishi, começou um programa reformista marcado pela perda do domínio coreano e os problemas internos. Em 604, estabeleceu a Constituição de Dezessete Artigos, que compreendia um conjunto de princípios simples para o bom governo seguindo o modelo centralista da China e estabelecendo as hierarquias na corte.

As reformas de Shotoku foram continuadas pelo imperador Tenchi Tenno e por Nakatomi Kamatari, fundador da família Fujiwara, que em 645 inaugurou as denominadas reformas Taika, que fortaleceram a casa imperial e debilitaram as tribos uji, cujas terras foram ocupadas e redistribuídas. O grande conselho, o Dajokan, dirigiu o reino através de governadores locais, seguindo o modelo chinês. Em 663, Tenchi realizou reformas mais centralistas e codificou essas novas medidas no denominado sistema ritsu-ryo, que impôs uma estrutura de propriedade estatal sobre o país.

No mandato do imperador Shomu (que reinou de 715 a 756) e sua consorte Fujiwara, o Japão conheceu um período de grande efervescência cultural. Foram estabelecidas amplas conexões com a dinastia Tang da China e o Japão se tornou o extremo oriental da Rota da Seda. Posteriormente, o sistema ritsu-ryo foi modificado em 743 e, para estimular a ampliação das terras produtivas, direitos de propriedade foram concedidos a qualquer pessoa interessada em explorá-las. Essa medida permitiu que as grandes famílias e templos assegurassem sua independência e poder.

No período Heian (794-1185), o Japão conheceu 350 anos de paz e prosperidade. No entanto, durante o século IX, os imperadores começaram a retirar-se do governo ativo, delegando os assuntos de governo aos seus subordinados. A retirada dos imperadores foi acompanhada pelo aumento do poder dos membros da família Fujiwara que, em 858, tornaram-se os amos virtuais do Japão e mantiveram seu poder durante os três séculos seguintes, monopolizando os altos cargos da corte e controlando a família imperial. Em 884, Fujiwara Mototsune passou a ser o primeiro ditador civil oficial (kampaku). O mais importante dos dirigentes Fujiwara foi Fujiwara Michinaga, que dominou a corte de 995 a 1028.

O caráter do governo mudou sob o controle dessa família, aumentando a centralização da administração e dividindo o país em grande estados nobiliários de caráter hereditário, livres de impostos ou unidos aos grandes templos budistas.

Em meados do século XI, os Fujiwara perderam o monopólio das consortes imperiais e os imperadores retirados se converteram no núcleo de um novo sistema de governo de claustro, pelo qual os imperadores abdicavam depois de fazer os votos budistas e se afastavam da administração em favor dos imperadores reinantes. Nesse meio tempo, surgiram nas províncias grupos locais de guerreiros, mais conhecidos como samurais, que protegiam os senhores de que eram servos, criando assim o embrião de um sistema feudal. Os guerreiros Taira ganharam fama e poder no sudoeste; os Minamoto, no leste. No século XII, os dois grandes clãs militares estenderam seu poder para a corte, iniciando uma luta pelo controle do Japão.

Em 1156, uma guerra civil (o Distúrbio Hogen) eclodiu entre os imperadores retirados e reinantes e as ramificações associadas à família Fujiwara, dando início aos clãs militares. Depois da segunda guerra com o denominado Distúrbio Heiji (1159-1160), os Taira assumiram o controle do Japão. Taira Kiyomori, ministro-chefe em 1167, monopolizou os cargos da corte com os membros da sua família; seu filho mais novo, Antoku, tornou-se imperador em 1180. No mesmo ano, um remanescente dos guerreiros Minamoto, Minamoto Yoritomo, construiu um quartel em Kamakura, no leste do Japão, e promoveu um levante que, depois de cinco anos de guerra civil, derrotou e expulsou os Taira. Yoritomo assumiu o controle do Japão, inaugurando uma ditadura militar que iria durar sete séculos.

A partir de então, o feudalismo se desenvolveu até se tornar mais forte que a administração imperial. Em 1192, Yoritomo criou o cargo de xogun, comandante-em-chefe com autoridade para atuar contra os inimigos do imperador. Yoritomo já era o virtual dirigente do Japão e titular do seu xogunato, detendo assim mais poder do que o imperador e a corte.

Em 1219, a família Hojo, mediante uma série de conspirações e assassinatos que eliminaram os herdeiros Minamoto, assumiu a direção militar do Japão. Nenhum Hojo tornou-se xogun; um dirigente Hojo governava como shikken (regente), com poder real.

As novas formas de budismo, especialmente as seitas País Puro e o zen, se estenderam e tornaram-se mais populares do que as seitas mais antigas.

Os Hojo mantiveram-no poder durante mais de 100 anos. Seus oficiais e administradores provinciais conseguiram o poder sobre as terras e se uniram para formar novos clãs militares, os daimio, que se converteram no maior desafio para a autoridade do xogunato. O imperador Daigo II Tenno liderou uma rebelião contra os Hojo com o apoio de Ashikaga Takauji, dirigente do clã Ashikaga. A revolução, denominada Restauração Kemmu, culminou em 1333 com a deserção dos principais vassalos do xogunato e a queda dos Hojo.

O templo Kinkaku-ji, em Kyoto, tem esse famoso pavilhão decorado com lâminas de ouro. Sua construção foi iniciada em 1394 por Yoshimitsu, terceiro Shogun Ashikaga. O Kinkaku-ji foi originalmente uma vila, mas com o passar do tempo tornou-se um templo budista zen. O pavilhão original foi destruído por um incêndio provocado em 1950 e a exata reprodução atual foi concluída em 1955. A sua arquitetura é característica dos templos zen. O budismo é uma das principais religiões do Japão e mais de 75% de sua população praticam alguma das suas seitas.

O Japão foi finalmente reunificado no século XVI, no período Azuchi-Momoyama, um curto período de grandes mudanças, que recebeu esse nome por causa dos castelos das suas duas principais figuras, Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi. Oda inaugurou o período controlando os outros daimio, além de acabar com o poder dos mosteiros e neutralizar o budismo como força política. O último xogun Ashikaga abdicou em 1588 e Hideyoshi assegurou seu governo mediante uma administração sistemática; no entanto, nunca estabeleceu o controle completo sobre os daimio. Outras influências culturais chegaram ao arquipélago pelas mãos dos comerciantes portugueses, os primeiros europeus que chegaram ao Japão, desembarcando numa ilha próxima de Kyushu em 1543. Entre outras coisas, os artesãos locais copiaram as armas de fogo trazidas pelos estrangeiros, com o que transformaram a arte militar nipônica e criaram um meio eficiente para controlar os senhores feudais. Um missionário jesuíta, Sao Francisco Xavier, levou o cristianismo ao Japão em 1549, mas o excesso de zelo dos pregadores que o seguiram contribuiu para que os xoguns proibissem no futuro a entrada de estrangeiros. Em 1600, Tokugawa Ieyasu tornou-se o dirigente do país.

Ieyasu se proclamou xogun em 1603 e estabeleceu sua capital em Edo (hoje Tóquio). Em 1615, Ieyasu promulgou novos códigos legais, que estabeleceram a organização feudal e proporcionaram ao Japão um período de 250 anos de paz. Esses códigos (o denominado sistema bakuhan) deram à família Tokugawa um grande poder sobre os feudos daimio (han) e seus administradores, bem como sobre o imperador e a sua corte. Os confiscos de terra fizeram da família Tokugawa a mais rica do Japão. As classes sociais foram estratificadas de forma rígida em quatro grupos: guerreiros, camponeses, artesãos e comerciantes. A forma de feudalismo estabelecida por Ieyasu e os sucessivos xoguns Tokugawa se manteve até o final do período feudal, em meados do século XIX.

Outra conseqüência da dominação Tokugawa foi o isolamento em relação ao Ocidente. Os europeus não puderam desembarcar no Japão depois de 1624 e, na década seguinte, foi decretada uma série de leis proibindo o comércio exterior.

Nos dois séculos que se seguiram, as formas de feudalismo se mantiveram estáticas. O bushido, o código dos guerreiros feudais, tornou-se o padrão de conduta para os grandes senhores e os samurais, que desempenhavam o papel de seguidores dos primeiros. O confucionismo passou a ser a nova ideologia do governo, o que provocou uma forte reação tradicionalista e uma defesa do nacionalismo pró-imperial.

No princípio do século XIX, as visitas de europeus, em sua maioria comerciantes e exploradores, tornaram-se cada vez mais freqüentes, embora oficialmente elas continuassem proibidas. Como resultado da "visita" do comodoro norte-americano Mathew C. Perry (no comando de uma ameaçadora frota de guerra), foram abertas negociações que levaram à assinatura, em 1858, de um acordo comercial com os Estados Unidos, ao qual se seguiram outros com várias potências ocidentais.

Os tratados deram consideráveis privilégios aos ocidentais, como foi o caso da extraterritorialidade e, com eles, diminuiu de maneira significativa o poder do xogunato. O último xogum, Tokugawa Yoshinobu, renunciou em 1867 enquanto os radicais pró-imperiais decidiram forçar a situação e, em 1868, conseguiram restaurar o poder do imperador.

Os exércitos dos feudos de Sasuna, Choshi e Tosa, que agora compunham as forças imperiais, dominaram os seguidores dos Tokugawa e pouco depois asseguraram a restauração Meiji. O jovem imperador, Mutsuhito, recuperou a posição de verdadeiro dirigente do governo e adotou o nome de Meiji Tenno (governo ilustrado) para designar seu reinado, embora vários dirigentes de Choshu e Satsuma monopolizassem os cargos ministeriais. Em 1871, um decreto imperial aboliu todos os feudos e em seu lugar foram criadas prefeituras administrativas centralizadas, das quais os antigos senhores eram os governadores. Paralelamente, foi criado um exército moderno, tomando como modelo os ocidentais.

A oligarquia Choshu-Satsuma impôs uma série de mudanças no sistema político sem, no entanto, atender às demandas políticas do povo. Os camponeses continuaram pagando a maioria dos pesados impostos estatais e as revoltas continuaram no século XIX. Tentou-se em seguida criar um regime constitucional capaz de fortalecer o país e melhorar sua situação geral. Foi criado um gabinete em 1885, do qual Ito Hirobumi era o primeiro-ministro. A nova Constituição, redigida por Ito e promulgada em 1889, estabelecia uma Dieta bicameral.

O Império também iniciou uma política externa expansiva. Em 1879, o Japão tinha tomado as ilhas Ryukyu, fazendo delas municípios da ilha de Okinawa. Os conflitos com a China na Coréia culminaram com a Guerra Sino-japonesa (1894-1895), na qual as forças nipônicas não tiveram muita dificuldade para derrotar os chineses. Segundo os termos do tratado de Shimonoseki, assinado em 1895, a China cedeu ao Japão as ilhas de Taiwan e dos Pescadores, além de uma grande indenização financeira.

Por causa dos seus interesses na Coréia, o Japão entrou em conflito com a Rússia, que começava a ampliar as suas fronteiras pelo nordeste da Ásia. Os dois países assinaram um tratado em 1898, que garantia a independência da Coréia, embora preservasse os interesses comerciais de ambas as potências. Em 1900, depois da revolta dos Boxers na China, a Rússia ocupou Dongbei Pingyuan e, a partir dessa base, invadiu a Coréia pelo norte do país.

Em 1904, depois de repetidas tentativas de negociação, o Japão rompeu as relações diplomáticas com a Rússia e atacou a possessão russa de Port Arthur (agora parte de Lüda), dando início à Guerra Russo-japonesa, que, em menos de 18 meses, veio a se tornar o segundo êxito militar do Japão. O tratado de paz foi assinado em Portsmouth (New Hampshire), em 1905; o Japão ficou com a península de Liaodong, o território de Guangdong e a metade sul da ilha de Sakalina. Além disso, a Rússia reconheceu a presença do Japão na Coréia, que em 1910 foi anexada ao Japão.

Em agosto de 1914, depois da eclosão da I Guerra Mundial, o Japão entrou na guerra do lado dos aliados. Em 1915, o Império apresentou as Vinte e Uma Demandas para a China, nas quais solicitava privilégios industriais, minerais e ferroviários. Essas reivindicações, algumas das quais foram rapidamente atendidas, foram a primeira declaração de uma política de dominação sobre a China e o Extremo Oriente. Em 1916, a China cedeu os direitos comerciais na Mongólia Interior e o sul da Manchúria ao Japão.
Duas mulheres passeiam ao longo da margem de um canal em Osaka, Japão. Esta cidade, ao sul de Honshu, é um grande porto marítimo e um importante centro financeiro e industrial. Por causa dos seus numerosos canais e rios, é chamada de Veneza japonesa.

Em 1926, Hirohito subiu ao trono. Quando o general Tanaka Giichi tornou-se o primeiro-ministro em 1927, voltaram as agressões contra a China.

As repercussões internacionais da ocupação da Manchúria levaram a Sociedade das Nações, atuando com a autoridade do Pacto Briand-Kellogg, a criar uma comissão para determinar se o Japão fazia jus à acusação de nação agressora e como tal merecia receber sanções comerciais; a resposta do Japão foi abandonar a organização, em 1935. Para consolidar sua presença na China, o Japão desembarcou tropas em Xangai. Incapaz de resistir à superioridade das forças nipônicas, a China assinou uma trégua em maio de 1933, na qual reconhecia as conquistas japonesas.

Na II Guerra Mundial, em 1940, o Japão criou uma aliança tripartite com a Alemanha e a Itália, o denominado Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Foi derrotada e capitulou depois dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

Depois da rendição incondicional do Japão, coube aos Estados Unidos manter tropas de ocupação nas ilhas japonesas. O Japão foi despojado do seu Império. Com o fideicomisso das Nações Unidas, os Estados Unidos ocuparam todas as ilhas que tinham sido antigos mandatos japoneses no Pacífico.

Não houve resistência dos outros aliados à ocupação norte-americana das ilhas japonesas. Os objetivos da política de ocupação eram, basicamente, a democratização do governo japonês e o restabelecimento de uma economia industrial de tempo de paz que atendesse à demanda da população japonesa. O general MacArthur exerceu sua autoridade através do imperador e da estrutura de governo existente; em 1947, teve início um programa de reforma agrária, projetado com a finalidade de dar aos camponeses a oportunidade de adquirir a terra na qual trabalhavam, e foi criado um programa educativo seguindo modelos democráticos. As mulheres conseguiram o direito a voto nas primeiras eleições depois da guerra (em abril de 1946). Posteriormente, a Dieta definiu as bases de uma nova Constituição, fortemente inspirada pela democracia norte-americana e promulgada em 1947.

Segundo os termos do tratado, o Japão renunciou a todos os seus direitos sobre a Coréia, Taiwan, as ilhas Kurilas, Sakalina e as ilhas que eram antigos mandatos, abandonando também qualquer reivindicação sobre a China; reconheceu o direito de o Japão se defender e a negociar acordos de segurança coletivos e aceitou a validade das reparações de guerra, que pagaria em bens e serviços.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e o Japão assinaram um acordo que estabelecia a permanência de bases militares norte-americanas em território nipônico para proteger o país desarmado de agressões externas ou distúrbios internos capazes de abalar a ordem social.

Em 1952, entrou em vigor o tratado de paz e o Japão recuperou a soberania sobre o seu território. Segundo os termos do tratado, as tropas norte-americanas permaneceriam no Japão como forças de segurança. Ao longo do ano de 1952, o governo japonês estabeleceu tratados de paz ou renovou as relações diplomáticas com Taiwan, Birmânia, a Índia e a Iugoslávia.

A economia japonesa começou a ocupar os primeiros postos na economia mundial na década de 1960. O primeiro-ministro Ikeda renunciou e foi sucedido por Sato Eisaku, também democrata liberal.

Embora o Partido Democrático Liberal tenha se mantido no poder ao longo de toda a década de 1970, foram muito freqüentes as mudanças de governo decorrentes do surgimento de facções dentro do partido. Em 1972, Tanaka Kakuei reatou as relações diplomáticas com a China e Taiwan.

Em 1982, Nakasone Yasuhiro foi eleito primeiro-ministro. Os democratas liberais, derrotados nas eleições parlamentares de 1983, conseguiram uma maioria avassaladora em 1986; para substituir Nakasone, elegeram Takeshita Noboru em 1987.

O imperador japonés Akihito ascendeu ao trono, em 1989, depois da morte de seu pai, Hirohito. Batizou seu reinado oficialmente com o nome de Heisei ("a Paz Conseguida") para estabelecer uma ruptura com o governo de seu pai, durante o qual foram realizadas trágicas ações militares. Seu matrimônio com uma plebéia, a imperatriz Michiko, representou a democratização da instituição imperial, uma necessidade do Japão moderno.

O imperador Hirohito faleceu em janeiro de 1989 e foi sucedido pelo filho Akihito, que inaugurou o denominado período Heisei, que logo se mostrou como uma época de reformas.

Nas eleições de 1993, os democratas liberais perderam a maioria e, depois de 38 anos no poder, foram afastados do governo. Hosokawa Morihiro, um antigo democrata liberal, foi eleito para liderar o governo, levando a cabo um programa de reforma eleitoral.

O dirigente do Partido Social Democrata Murayama Tomiichi foi eleito primeiro-ministro em 1994, tornando-se o primeiro dirigente de esquerda desde 1948. Em seu curto governo, teve que enfrentar uma vasta gama de problemas, do terremoto de Kobe, em 1995, que matou mais de 5.000 pessoas, ao surgimento público da seita Shinrikyo (Ensino da Verdade Suprema), que no mesmo ano cometeu atentados com o gás venenoso sarin, matando 12 pessoas e intoxicando centenas, passando por problemas com os militares das bases norte-americanas de Okinawa.

Murayama renunciou em 1996 e em seu lugar foi escolhido o liberal democrático Ryutaro Hashimoto. Seu governo ficou marcado por denúncias e escândalos de corrupção, uma retração do consumo interno e, o que é mais importante, o início de um problema quase desconhecido para os japoneses: o desemprego. Como corolário da instabilidade nas bolsas asiáticas em 1997, uma das maiores organizações financeiras do país faliu, deixando um "rombo" de 24 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, Hashimoto teve que enfrentar as pressões dos Estados Unidos para que abrisse às forças econômicas externas o ainda fechado mercado japonês. Recessão, uma palavra desconhecida para os japoneses do pós-guerra, começou a ser cada vez mais usada na imprensa local ao longo de 1998.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Civilização Japonesa Parte 2 de 8

História da Arte e Arquitetura Japonesa

Introdução

Todas as obras de arte realizadas no Japão desde o assentamento dos primeiros habitantes, por volta do X milênio a.C., até a atualidade.
Otani Oniji como Eitoku é uma das numerosas gravações feitas em madeira por Toshusai Sharaku entre 1794 e 1795, durante o período Edo. Representa um ator de kabuki pintado no estilo Ukiyo-e (mundo flutuante). As gravações em madeira alcançaram seu ponto máximo na arte japonesa nos séculos XVIII e XIX.


Historicamente, o Japão esteve sujeito a súbitas invasões de idéias novas procedentes do estrangeiro, seguidas por longos períodos de contato mínimo com o mundo exterior. Ao londo do tempo, os japoneses tem desenvolvido a habilidade de absorver, imitar e acabar por assumir os elementos da cultura estrangeira que serviam para complementar suas preferências estéticas. As manifestações artísticas mais antigas que se desenvolveram no Japão datam dos séculos VII e VIII e estão relacionadas com o budismo.
O Byodo-in, templo budista Amida de Uji, próximo a Kioto, foi concluído no ano de 1053. Nele, destaca-se o Ho-o-do (Salão da Fênix), que contém uma grande figura de Amida dourada em madeira, feita pelo escultor Jocho. O Ho-o-do foi, a princípio, uma casa de campo aristocrática. Em 1053, quando foi construído o resto do edifício, transformou-se em monastério.

No século IX, o Japão começou a abandonar a influência chinesa e a desenvolver formas de expressão próprias; de forma gradual, foi ganhando importância a arte profana, que continuou florescendo, junto à religiosa, até ò fim do século XV. Em conseqüência da Guerra Onin (1467-1477), o país entrou num período de desorganização política, social e econômica, que se prolongou durante quase um século. Sob o mandato da dinastia Tokugawa (ou Edo, 1603-1867), diminuiu o protagonismo da religião na vida diária e as artes que sobreviveram foram basicamente as profanas.
Seáhu, artista e sacerdote zen-budista, foi um dos artistas mais importantes do período Muromachi (1339-1573). No século XV, pintou Falcões e garças, em que se observa a influência chinesa do estilo monocromático. Suas delicadas composições paisagísticas e sua pincelada espontânea refletem o domínio de Seáhu do estilo chinês Ma-Xia.

O pincel é o meio de expressão artística preferido dos japoneses, que praticam a pintura e a caligrafia tanto no plano profissional, quanto também como passatempo. Até os tempos modernos, sempre se utilizava o pincel, e não a pluma, para escrever. Para os artistas, a escultura era um meio de expressão muito menos eficaz; a maior parte dela está relacionada com a religião e sua importância diminuiu com a decadência do budismo tradicional. Já a cerâmica japonesa é uma das mais belas do mundo e a esta modalidade artística pertencem muitos dos objetos japoneses mais antigos que se conhecem. Quanto à arquitetura, revela claramente as preferências japonesas pelos materiais naturais, assim como a interação do espaço interior com o exterior.

A principal característica da arte japonesa é sua polaridade. Por exemplo, na cerâmica dos períodos pré-históricos, a excessividade deu lugar a uma arte disciplinada e refinada. Da mesma maneira, há duas estruturas do século XVI, radicalmente distintas: o palácio de Katsura, perto de Kyoto, é uma mostra da simplicidade das linhas, nas quais se destacam as madeiras naturais e a integração com os jardins circundantes, com o que sua beleza foi conseguida quase por acaso; em contraste, o templo-santuário mausoléu de Toshogu, no monte Nikko, é uma estrutura rigidamente simétrica, com relevos coloridos que cobrem toda a superfície visível.

A arte japonesa valoriza-se não só por sua simplicidade, mas também pela exuberância de seu colorido, e tem exercido uma considerável influência sobre a pintura e a arquitetura ocidentais dos séculos XIX e XX, respectivamente.

Arte Jomon e Yayoi

A primeira civilização importante foi a dos jomon (c. 7000-250 a.C.), fabricavam pequenas figuras de argila, chamadas dogu, e vasilhas decoradas com motivos parecidos com uma corda, que deram origem a seu nome. Os jarros jomon, que costumam ter complicadas formas flamíferas, são as mais antigas peças de cerâmica conhecidas do mundo.

A onda de imigrantes que se seguiu foi a dos yayoi. Chegaram ao Japão no ano 350 a.C., levando seus conhecimentos em matéria de cultivo do arroz mediante a rega e suas técnicas em metais para a fabricação de armas de cobre (doboko) e campainhas de bronze (dotaku) e de objetos de cerâmica com o torno e o cozimento no forno.

Arte Kofun ou dos Grandes Túmulos

A terceira etapa da pré-história japonesa é o período Kofun ou dos grandes túmulos (c. 250 a.C.-552 de nossa era), por ser de imponentes estruturas com um enorme volume. O maior de todos, a tumba de Nintoku, tem uns 460 m de largura e mais de 30 m de altura.

Arte Asuka e Naka

Durante os períodos Asuka e Nara, produziu-se no Japão a primeira influência importante da cultura procedente do continente asiático. A introdução do budismo no ano 552 ou 558, vindo da Coréia, proporcionou um empurrão inicial para os contatos entre Coréia, China e Japão. Os japoneses, então, aprenderam que também a cultura chinesa tinha muitas facetas que podiam ser incorporadas à deles de forma proveitosa, como um sistema para expressar as idéias e os sons por meio de símbolos escritos, a historiografia, as complexas teorias de governo, uma burocracia efetiva e, o mais importante para a arte, uma avançada tecnologia na área da construção, os métodos avançados de fundir o bronze e as novas técnicas e materiais de pintura.

As primeiras construções budistas, que ainda se conservam no Japão — e que são os edifícios de madeira mais antigos do Extremo Oriente — encontram-se no templo de Horyuji, um complexo religioso a sudoeste de Nara.

Arte Heian

O período Heian abrange de 794 a 1185, ano em que terminou a Guerra Civil Gempei. A partir de então, o período se divide em Heian primitivo e Heian posterior. Como reação ante aos crescentes poder e riqueza do budismo organizado em Nara, o sacerdote Kukai (denominado postumamente Kobo Daishi) viajou à China para estudar o Xingon, uma variedade mais rigorosa de budismo, que introduziu no Japão em 806. A base do culto Xingon são os mandala, ou diagramas do universo espiritual; o kongokai, ou mapa dos inumeráveis mundos do budismo; e o taizokai, ou representação pictórica dos reinos do universo budista.

Os templos dessa nova seita foram erigidos nas montanhas, longe da corte e da capital mundana. O templo que melhor refletia o espírito dos santuários xingon do Heian primitivo é o Murö-ji (do início do século IX), escondido num bosque de ciprestes numa montanha a sudeste de Nara.

Arte Fujiwara

No período Fujiwara, propagou a seita da Terra Pura, que oferecia salvação fácil por meio da fé em Amida (o Buda do Paraíso ocidental). Não se necessitava nada mais: nem templos, nem monastérios, nem rituais, nem clero.

O exemplo mais característico da era Fujiwara é o Ho-o-do (Salão da Fênix, terminado em 1053) do templo Byodoin, em Uji, a sudeste de Kioto.

Durante o último século do período Heian, começaram a se destacar também os emaki, rolos horizontais que narravam histórias ilustradas. Um dos exemplos mais importantes da pintura japonesa são as ilustrações da História de Genjii, feitas em 1130 para um conto, do ano 1000, da escritora Murasaki Shikibu.

Arte Kamakura

Em 1180 a Guerra Civil Gempei estourou entre dois clãs militares, os Taira e os Minamoto. Cinco anos mais tarde, Minamoto no Yorimoto, à frente de sua facção, conseguia a vitória e estabelecia seu governo no povoado costeiro de Kamakura, onde permaneceu até 1333. Com a passagem do poder da nobreza para a classe guerreira, a arte era destinada a um público novo: soldados, homens dedicados aos ofícios e técnicas relacionados com a guerra, sacerdotes encarregados de difundir o budismo entre os plebeus iletrados e, por fim, aos conservadores, grupo no qual se encontrava a nobreza e alguns membros do sacerdócio que lamentavam o debilitado poder da corte. Essas circunstâncias influíram na arte do período Kamakura, que se caracterizava por sua mistura de realismo, tendência à vulgaridade e ressurgimento do clássico.

O Kegon Engi Emaki — história ilustrada da fundação da seita Kegon — é um excelente exemplo da tendência da pintura kamakura para o popular.

Arte Muromachi

Durante o período Muromachi (1338-1573), chamado também período Ashikaga, por ser este o nome do clã militar governante, operou-se uma profunda mudança na cultura japonesa. O clã se fez encarregado do shogunato e voltou a instalar a sede do governo na capital, no distrito de Muromachi de Kioto, o que significou o fim das tendências populares do período Kamakura e a adoção de formas culturais de expressão mais aritocráticas e elitistas.

O budismo Zen, através da seita Ch’an, que, segundo a tradição, foi fundada na China no século VI, pela segunda vez se instalou no Japão, onde se arraigou. Incrementou-se a importação de pinturas e objetos de arte chineses. Estas novas correntes artísticas exerceram uma profunda influência sobre os artistas japoneses que trabalhavam para os templos Zen e para o shogunato, não só no tocante aos temas, como no uso da cor, que passou do brilho do estilo yamato-e aos tons monocromáticos característicos da escola chinesa.

Um exemplo típico da pintura primitiva Muromachi é a obra do sacerdote e pintor Kao (ativo em princípios do século XV) em que o legendário monge Kensu (Xianzi, em chinês) é representado no momento de sentir-se iluminado.

Outra novidade importante da época é a cerimônia do chá. Sua finalidade era passar o tempo com os amigos amantes das artes, liberando a mente das preocupações da vida cotidiana.

Arte Momoyama

No período Momoyama (1573-1603), depois de quase um século de guerra, uma sucessão de chefes militares intentaram levar a paz e a estabilidade política ao Japão. Entre eles, Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu, fundador da dinastia que leva seu nome.

O castelo de Himeji (cuja forma atual foi construída em 1609), conhecido popularmente como castelo da Garça Branca, é uma das construções mais belas do período Momoyama, com seus telhados graciosamente curvados e suas três torres subsidiárias ao redor do tenshu (torre da homenagem). O Ohiroma do Castelo de Nijo (século XVII) em Tokio, constitui um exemplo clássico de shoin, com seu tokonoma (nicho), a janela que se abre sobre um jardim bem cuidado e as zonas claramente diferenciadas para os senhores Tokugawa e seus vassalos.

A escola de pintura mais importante do período Momoyama foi a de Kano e a maior inovação da época, a fórmula ideada por Kano Eitoku para decorar com paisagens monumentais as portas corrediças dos interiores das casas. A melhor mostra de sua obra é, talvez, a decoração do salão principal, que dá para o jardim, do Juko-in, no subtemplo de Daitoku-ji (templo Zen de Kioto).

Arte do período Edo

O shogunato Tokugawa do período Edo foi feito com o indiscutível controle do governo em 1603, comprometendo-se a dar ao país paz e estabilidades econômica e política, o que conseguiu em grande parte. Uma das características dominantes do período Edo foi a política repressiva do shogunato e os esforços dos artistas para escaparem das medidas restritivas, que chegavam a impedir a entrada dos estrangeiros e de suas culturas, a decretar a política isolacionista do Lapós (sakotu-rei) em 1639 e a impor estritos códigos de comportamento.

Dessa época são o palácio Imperial de Katsura, em Kioto, e as pinturas de Sotatsu, pioneiro da escola de Rimpa, que constituem belos exemplos do estilo arquitetônico e pictórico japonês.

A escola artística mais conhecida no Ocidente é a de Ukiyo-e, de pintura e de gravações em madeira, cujos temas são as mulheres de vida alegre, o mundo do teatro kabuki e o bairro dos bordéis.

O principal expoente do estilo Ukiyo-e no século XIX foi Hokusai, que dedicou sua longa vida a pintar e a gravar com brilhantismo paisagens, figuras e todo o tipo de cenas, destacando sua Onda quebrando em Kanagawa, que integra as Trinta e seis vistas do monte Fuji, uma das obras mais conhecidas da arte japonesa.

Arte a partir de 1867

Nos anos que se seguiram a 1867, após a subida ao trono do imperador Meiji Tenô, o Japão voltou a ser invadido por novas formas culturais procedentes do exterior. A primeira reação dos japoneses à situação foi de sincera aceitação e, em 1876, inaugurou-se a Escola de Artes Tecnológicas, com professores italianos que ensinavam as técnicas ocidentais. A segunda reação foi uma rejeição ao ocidental, encabeçada por Okakura Kakuzo e pelo americano Ernest Fenollosa, que estimulavam os artistas japoneses a conservar os temas e as técnicas tradicionais, se bem que criassem obras mais ao gosto contemporâneo.

Desses dois pólos da teoria artística surgiram os estilos yo-ga (pintura ao estilo ocidental) e nihonga (pintura japonesa), que seguem em vigor até hoje. A necessidade de reconstruir o Japão depois da II Guerra Mundial constituiu um forte estímulo para os arquitetos japoneses, e os edifícios modernos competem com os melhores do mundo no tocante à tecnologia (são resistentes a terremotos) e ao conceito formal. O arquiteto mais conhecido da primeira geração do pós-guerra é Kenzo Tange. Figuras posteriores, como Isozaki Arata e Tadao Ando, abordaram uma presença japonesa mais forte e significativa no panorama da arquitetura internacional.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dica de Filme: Queimada

Este é o grande filme sobre o colapso do sistema colonial e a hegemonia inglesa. Inteligente, articulado, fantasticamente protagonizado por Marlon Brando, Queimada deveria ser obrigatório para todos os estudantes a partir de 11 anos de idade.

No século XIX um representante inglês é mandado para uma ilha do Caribe que se encontra sob domínio português, para incentivar uma revolta para favorer os negócios da coroa inglesa. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois o momento econômico exige um novo quadro político na região.

domingo, 4 de julho de 2010

Dica de Filme: Casanova e a Revolução

belo exemplar de filme que conta a História "por dentro", isto é utiliza-se da micro-história para narrar a macro-história. De resto, é uma obra de mestre, sobre um período fundamental da história do mundo ocidental.

Casanova e a Revolução, é um dos melhores filmes sobre a Revolução Francesa, e um dos grandes trabalhos do cineasta Ettore Scola. A Versátil, em conjunto com a Gaumont, apresenta essa pequena obra-prima, em versão restaurada e remasterizada. França, 21 de junho de 1791. O rei Luís XVI e sua família, tentam fugir de carruagem do país. Na mesma estrada, segue uma outra diligência, com o sedutor Giacomo Casanova, o escritor Restif de la Bretonne, o liberal inglês Thomas Paine, uma misteriosa condessa, entre outras personagens históricas e fictícias. Quando chegam a Varennes, testemunham a prisão da família real e passam a noite discutindo sobre a vida, o amor e a política. A partir dessa idéia original, Scola retrata os diversos olhares daquele momento, em relação à Revolução Francesa. Destaque também para o ótimo elenco, que inclui os astros Marcello Mastroianni, Hanna Schygulla e Harvey Keitel.

sábado, 3 de julho de 2010

Civilização Japonesa Parte 1 de 8

As origens da civilização japonesa são remotas e bastante imprecisas. Contudo, alguns estudos indicam que os primeiros ocupantes deste território apareceram no século III a.C.. Entre as várias culturas que surgem nesse período de formação, podemos destacar a existência dos Yayoi, Kyushu e Jomon. De acordo com algumas pesquisas, as mais remotas civilizações teriam chegado da Sibéria durante o período neolítico.
O processo de unificação política do Japão teria acontecido ao longo da dinastia Yamato, que configurou a presença de um Estado centralizado. Contudo, ao atingirmos o século VI, a existência do poder real foi paulatinamente perdendo espaço para o poder exercido pelos chefes locais. Após a chamada Guerra Onin, o poder central perdeu espaço para os senhores de terra locais que guerreavam constantemente entre si.
No século VII, os conflitos e disputas locais perderam espaço para a rearticulação da dinastia Yamato, que conseguiu promover mudanças que recuperaram o governo monárquico. Após algumas disputas, a monarquia japonesa se tornou praticamente hegemônica durante uma fase de aproximadamente mil anos. Nesse tempo, vale destacar a ascensão dos samurais enquanto importantes agentes militares e políticos.
No século XVI, o contato com os comerciantes espanhóis e portugueses determinou o gradual processo de abertura da civilização japonesa ao mundo ocidental. A ação de mercadores e clérigos jesuítas marcou um primeiro momento das transformações culturais que ganharam espaço no Japão. No século XIX, a ação imperialista norte-americana foi peça chave fundamental para a abertura do povo nipônico ao Ocidente.
Com a abertura econômica forçada pela esquadra militar dos EUA, os japoneses entraram em contato com novas ideologias políticas. Em pouco tempo, um forte movimento nacionalista reivindicou a modernização das instituições do país e o fim da influência estrangeira no território. A partir de 1868, a chamada Revolução Meiji ordenou a industrialização japonesa e a extinção das antigas instituições medievalescas.
Curiosamente, em um curto espaço de tempo, os japoneses abandonaram a posição de nação subordinada ao imperialismo para se transformar em uma potência industrial promotora de tal política dominadora. O auge dessa nova situação aparece nas primeiras décadas do século XX, quando o governo japonês se envolveu nos conflitos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.
No fim da Segunda Guerra, temendo a ascensão de uma potência socialista vizinha, os EUA promovem o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki. Esta tragédia nuclear acabou simbolizando a reconstrução da nação japonesa, que não tinha recursos para se recuperar das terríveis perdas econômicas e humanas do conflito. Na década de 1970, acabou se reerguendo e ocupando um importante papel na economia mundial.
Atualmente, os japoneses são sistematicamente associados ao desenvolvimento de tecnologia de ponta que marca o capitalismo. Os campos de informática, robótica, telecomunicações, automobilismo são os mais significativos alvos que atestam a posição de vanguarda nipônica. Vez ou outra, os meios de comunicação divulgam mais um invento ou descoberta proveniente dos laboratórios japoneses

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A África do Sul dividida

Devido a suas riquezas como o ouro e o diamante, a África do Sul foi o destino de inúmeros colonizadores europeus, como os ingleses e holandeses. Os descendentes desses povos, apoiados na irreal idéia de superioridade do homem branco, criaram no século XX uma política de discriminação racial chamada Apartheid, que significa separação.

Em 1948, o apartheid foi oficializado na África do Sul. Criaram-se leis que discriminavam os negros em locais de trabalho, escolas, igrejas, esportes e transportes públicos. Mesmo constituindo uma população quatro vezes maior que a população branca, os negros foram proibidos de possuir terras em 87% do território sul-africano. Através dos lucros com a mineração, a elite branca conseguiu armar as forças policias que garantiam a manutenção do apartheid.

A partir daí, os negros que constituíam a maior parte dos trabalhadores sul-africanos, reagiram à exploração econômica e ao racismo, realizando diversas manifestações contra o regime.

O CNA (Congresso Nacional Africano), representante dos negros, começou a intensificar os protestos. A luta contra o apartheid foi ganhando intensidade e destaque internacional, depois do massacre no bairro negro de Soweto. Com a instabilidade civil e econômica, o governo sul-africano cedeu em alguns pontos. Permitiu o acesso dos negros ao transporte público e aos centros de lazer, acabou com as leis que privilegiavam os brancos na posse de terras.

O fim do apartheid se deu em 1990 por Frederik de Klerk, e em 1994 Nelson Mandela, importante figura de oposição ao apartheid, líder dos negros e do CNA foi eleito presidente da República Sul-Africana através de eleições livres.

Observação: Esse texto é apenas um resumo de um dos fatos que ocorreu no continente africano, especificamente na áfrica do sul. A Historia do continente africano é muito mais do que apenas natureza e pessoas passando fome.

Leia mais, pesquise, que vocês vão ficar maravilhados. vale lembra que o Egito uma das grandes civilizações antigas faz parte também da áfrica. Obrigado pela colaboração e atenção de todos. Bom Final de Semana Para todos. Atenciosamente: Handresson Tenório, Aluno da Funeso e Blogueiro.

Dica de Filme: As bruxas de Salem

belíssimo filme sobre a intolerância oriunda de verdades ditas absolutas e inquestionáveis. Dá conta de aspectos da formação da sociedade americana, que se tornam fundamentais para entender o comportamento atual da política interna e externa dessa nação.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dica de Livro: 1000 Obras-Primas Da Pintura

Dos primórdios da Renascença até o Cubismo, o Surrealismo e a Pop Art, passando pelo Barroco e pelo Romantismo, estas obras canônicas da pintura ocidental cobrem um período de oito séculos e retratam uma ampla gama de temas. São pinturas que sintetizaram os sentimentos de uma era e outras que anunciaram a chegada de novos tempos. Todas, porém, resistiram à prova do tempo. Em seu conjunto, estas 1000 obras-primas da pintura lançam luz sobre as preocupações e intuições de nossos predecessores e nos convidam a meditar sobre quais pinturas de nossa época poderão enfim juntar-se a este seleto grupo.

Autor: MARTINS FONTES
Editora: WMF MARTINS FONTES
Nº de Páginas: 544
1ª Edição: 2007

Dica de Filme: A lista de Schindler

O filme navega entre a narrativa histórica confiável e equilibradas doses de emoção. E, melhor que tudo, dá a dimensão do que aconteceu aos judeus e aos alemães, uns sendo esmagados, outros esmagando, mas ambos se desmoralizando no processo. Nesse aspecto é mais amplo e completo do que O Pianista, por exemplo.

No período da Segunda Guerra Mundial um homem tenta ganhar dinheiro com o trabalho forçado dos judeus nas fábricas. O nome dele é Oscar Schindler, a qual é alemão e tem boa influência com a polícia secreta do líder do partido nazista Hitler. O mesmo utiliza de sua boa imagem para ganhar pessoas para o trabalho industrial. No começo do filme é relatado como os judeus foram expulsos de sua casa e seus valores como as pratarias e o ouro foram roubados pela SS (polícia secreta) mandando para um gueto, que é um local isolado e são obrigados a trabalhar duro como retirando gelo das ruas. Alguns com carreira acadêmica como professores eram mandados diretamente para os campos de concentração sem nenhuma chance de reação.